Hannover - Oito anos depois, uma esperada revanche contra ''les bleus'' nas quartas-de-final da Copa da Alemanha. Campeã em 1998 na fatídica decisão no Stade de France, a França será a adversária do Brasil no jogo de sábado, em Frankfurt. Depois de passar por apuros na primeira fase e se classificar em segundo lugar no grupo G, o time de Raymond Domenech mostrou sua força na fase decisiva e derrotou a Espanha, de virada, por 3 a 1.
O jogo que os espanhóis anunciavam como a despedida de Zinedine Zidane acabou com sabor de amarga despedida. O camisa 10 não apenas voltou ao time em grande estilo após cumprir suspensão contra Togo, como fechou a vitória com um golaço, aos 47. David Villa, de pênalti, abriu o placar. Ribery e Vieira fizeram os outros gols dos franceses.
No próximo sábado, os companheiros de Real Madrid Ronaldo e Zidane voltarão a medir forças por suas seleções. Na Copa de 1998, o brasileiro sofreu convulsões pouco antes da final e teve atuação apagada. Já Zizou marcou dois dos três gols da França na vitória por 3 a 0.
A derrota de ontem quebrou uma invencibilidade de 24 jogos do técnico espanhol Luís Aragonés à frente da seleção.
Em campo, Espanha e França fizeram um dos melhores jogos da Copa do Mundo até agora. A Espanha começou com um ousado esquema tático com três atacantes, enquanto a França apostou num meio-campo congestionado e apenas Henry na frente.
O duelo galáctico de ontem ficou entre Raúl e Zidane. Mas o espanhol teve atuação apagadíssima e acabou sendo substituído no início do segundo tempo. Zidane, por sua vez, contou com seu talento e a liberdade de marcação que lhe foi dada pelos espanhóis para dar bons passes no jogo e coroar sua atuação com um golaço nos acréscimos. Uma pintura de jogada para calar os torcedores espanhóis, que acenavam em sinal de despedida para o francês toda vez que ele cobrava um córner.
A defesa francesa parecia sólida até que aos 26 Thuram fez lambança. Ele empurrou Pablo, que dominava na área de costas para o gol. Pênalti que Villa cobrou, um minuto depois, abrindo o placar para a Espanha: 1 a 0.
Na defesa, a Espanha usava e abusava da velha linha de impedimento. E acabou pagando caro por isso aos 41. Enquanto a defesa se preocupou em deixar Henry fora de jogo, Vieira fez uma excelente tabela com Ribery e pôs o apoiador de cara com Casillas. Ele driblou o goleiro e empatou o jogo: 1 a 1.
No segundo tempo, Zidane continuou tendo liberdade. A Espanha cercava, cercava, mas Barthez não fez uma defesa sequer no segundo tempo. O jogo foi ficando tenso nos minutos finais e Henry conseguiu confundir a arbitragem aos 38. Ele perdeu a frente para Puyol e simulou ter levado uma cotovelada no rosto. O banco francês fez pressão e o espanhol levou o primeiro cartão do jogo. Na cobrança de falta, Zidane bateu para a área, a zaga resvalou e Vieira, no segundo pau, cabeceou para as redes. A bola ainda desviou em Luís García antes de entrar: França 2 a 1.
O velho trauma espanhol diante do rival se materializou em campo. A França continua sem perder da Espanha em jogos oficiais. Ontem, foi a quinta vitória em seis jogos, com um empate completando as estatísticas. As duas seleções se enfrentaram pela primeira vez numa Copa do Mundo.
Com os espanhóis entregues, a cereja do bolo ficou para os acréscimos. Zidane recebeu em posição duvidosa pela esquerda, aos 47, driblou Puyol dentro da área e bateu no contrapé de Casillas. Festa azul em Hannover. A revanche de 98 será em Frankfurt, no sábado.




ESPANHA 1
Casillas; Sergio Ramos, Pablo IbaÀez, Puyol e Pernía; Fábregas, Xabi Alonso e Xavi (Marcos Senna); Raúl (Luis García), Fernando Torres e David Villa (Joaquín). Técnico: Luis Aragonés

FRANÇA 3
Fabien Barthez; Willy Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Vieira, Makelele, Zidane, Malouda e Ribéry (Govou); Henry (Wiltord). Técnico: Raymond Domenech

Local: AWD Arena, em Hannover
Juiz: Roberto Rosetti (ITA)
Gols: Villa, aos 28min, e Ribéry, aos 41min do 1º tempo; Vieira, aos 38min, e Zidane, aos 47min do 2º tempo

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