Como não pôde estar no Estádio do Café o torcedor alviceleste fez a sua parte a cinco quilômetros dali, empurrando o time no Ginásio Moringão. Uma sensação diferente, ‘‘meio estranha’’, conforme definiu Fabiano Cardoso de Souza, 28 anos, que sempre vai aos jogos do Tubarão no Café e no VGD. ‘‘Enquanto torcedor é ruim estar aqui e não lá (no estádio). Mas na hora em que o time chega na área do adversário é como se a gente estivesse lᒒ, comentou.
  Apesar das diferenças de um jogo normal, a alternativa adotada pela diretoria do Londrina para não deixar o torcedor ‘‘chupando o dedo’’ foi louvável. A geração de imagens ao vivo em quatro telões colocados na quadra aproximou aqueles 1.050 torcedores da partida que transcorria do outro lado da cidade.
  O espetáculo montado no Moringão teve todos os ingredientes de um jogo normal: vibração e lamentos, gritos de guerra da torcida organizada, banda, pipoqueiro, vendedor de amendoim e cerveja e também muito xingamento contra o árbitro. E para compensar a falta de emoção de estar no estádio, a diretoria compensou os torcedores no ginásio com locução ao vivo, entrevistas no gramado e sorteio de prêmios no intervalo.
  A grande frustração foi ver o estádio vazio no telão. Mais curioso ainda foi ouvir o narrador dizer: ‘‘São as emoções da Copa do Brasil! Londrina e URT com o Estádio do Café completamente vazio (em vez de ‘completamente lotado’)’’. Apesar das diferenças, o diretor social da torcida Falange Azul, Ricardo Nantes, 28, garantia que os jogadores estavam ‘‘sentindo’’ a presença da organizada em campo.
  Os corintianos Alberto Janz e André Montini foram assistir primeiro ao jogo do Londrina no Moringão para depois verem o Timão pela tevê, na Libertadores. ‘‘Faz uns dois anos que eu andava meio afastado do estádio, mas vim hoje porque um amigo meu, que é fanático, me convidou. Achei legal. Mas saindo daqui vamos ver o Coringão’’, avisou.
  Fazendo uma avaliação do primeiro tempo, quando o Londrina tomou um gol de surpresa, aos 29 minutos, Adalberto Borges, 31, avaliou que o time jogou bem. ‘‘Tomamos um gol, mas não tem nada perdido. Dá para virar no segundo tempo. Só tem que tomar cuidado com os contra-ataques, porque a URT é um time perigoso’’.
  Já o integrante da Falange Azul, Marcos Reis da Silva, 37, não estava nada satisfeito com o resultado, nem com o fato de assistir ao jogo pelo telão. ‘‘Se estivéssemos lá no estádio o Londrina não estava perdendo. Vou em todos os jogos e sei como os jogadores vão pra cima quando ouvem a gente gritar. Mas vamos classificar’’, garantiu Silva. Pena é que ele e os mais de mil torcedores que foram ao ginásio não puderam ver isso ao final do jogo.

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