Agência Folha
De São Paulo
Conflito de egos entre promotores. Contratos de exclusividade com redes de TV concorrentes. Imposições das entidades que controlam o boxe. A unificação de títulos entre os meio-médios Oscar de la Hoya, campeão pelo Conselho Mundial, e Félix Trinidad, dono do cinturão da Federação Internacional, que acontece na madrugada de amanhã para domingo, só foi possível após a projeção de lucros da luta superar esses obstáculos. A luta, que já bateu o recorde de patrocínio para categorias abaixo dos pesados (US$ 10 milhões), devendo bater outros, e que está sendo comparada ao clássico entre ‘‘Sugar’’ Ray Leonard e Marvin Hagler (1987) será em Las Vegas. Por anos, quando questionado sobre o porquê da demora na materialização da luta entre os dois melhores meio-médios do mundo, Trinidad explicava que De la Hoya estaria com medo. O norte-americano devolvia a acusação. Assim, nos últimos anos, ambos puderam se dar ao luxo de subir ao ringue como franco favoritos, enfrentando rivais que levavam menos perigo a seus cartéis. No ano passado, De la Hoya bateu Júlio César Chávez, a quem já havia derrotado em quatro assaltos, e massacrou o francês Patrick Charpentier.
A FIB também impôs rivais desqualificados a Trinidad. Como as projeções mostravam que a apresentação com Trinidad bateria o recorde de vendas de pacotes de pay-per-view (para combates abaixo dos pesados), Arum permitiu que De la Hoya enfrentasse Trinidad. O porto-riquenho, cujo oponente mais conhecido nos últimos cinco anos foi o ex-campeão Pernell Whitaker, que acabava de sair de uma clínica de reabilitação para drogados, também mostrou que estava disposto a fazer sacrifícios para que a luta acontecesse. A Rede Globo de Televisão transmite o combate a partir da 1h05 de amanhã.

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