De contestado a estrategista
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Thiago Mossini<BR>Reportagem Local 
Em abril de 2011, Cláudio Tencati era técnico da base do Iraty e vinha fazendo um grande trabalho. O Londrina, já sob gestão do mesmo homem que mandava também no Azulão, procurava um técnico. Gente famosa era especulada até que o treinador campeão paranaense sub-20 título obtido em cima do Coritiba treinado pelo mesmo Marquinhos Santos, que hoje comanda a equipe principal, - e sub-18 foi anunciado como dono do cargo. Assumiu com um discurso de que seria seu maior desafio na curta carreira. Hoje, quase dois anos depois, ele se mantém firme no posto. Viveu alegrias, tristezas e decepções. Apanhou muito. Não foi nem um nem duas vezes que ouviu ecoar no Estádio do Café os gritos de "burro". Mas deu a volta por cima e domingo tem a chance de colocar o Londrina de volta em uma decisão de Campeonato Paranaense após duas décadas.
A semana que antecede o jogo decisivo do Tubarão com o Coritiba, que vale o título do primeiro turno e uma vaga na final do Estadual, tem sido especial não só para os jogadores, mas particularmente para Tencati. Depois de tudo que viveu nestes dois anos, ele tem a chance de entrar para a história alviceleste.
Tencati comandou o time na campanha irretocável na Divisão de Acesso de 2011 e foi mantido para a volta à elite. Porém, em 2012, viu seu time esbarrar no fator psicológico para não deslanchar e "morreu na praia", ficando sem calendário para o segundo semestre. Muito criticado, partia para o confronto com imprensa, torcida e às vezes empurrava a culpa para os jogadores.
Sobreviveu. O gestor Sérgio Malucelli tinha e tem ainda total confiança no técnico e via nele a pessoal ideal para ser seu comandante. Foi mantido para 2013, ganhou um time muito mais competitivo e se encontrou emocionalmente. Mesmo com as críticas após um passo em falso do time no campeonato, manteve a postura, defendeu os atletas e conseguiu manter a equipe nas mãos. O único deslize foi um pedido de aplauso aos torcedores que vaiavam o time na vitória sobre o Atlético. O "novo" Tencati conseguiu equilibrar a equipe e colocá-la para decidir o título do turno.
O próprio treinador conta como é este momento para ele, as dificuldades enfrentadas durante o turno, o que pensa sobre arbitragem e o rival de domingo:
Volta por cima
"Muito prazeroso, não digo nem por uma questão de queda de braço. Entendo que o papel da imprensa é muito importante. A imprensa contribui muito para o nosso crescimento. Vejo hoje grandes treinadores que em alguns momentos perdem jogos, cometem erros e são cobrados pela imprensa, pela torcida. Eles têm que reaprender, não param de aprender. O Felipão foi infeliz em uma declaração e teve que pedir desculpas. Eu atendo vocês seja no dia ruim, seja no dia bom. Não tenho birra de ninguém. Vejo que esse papel da imprensa ajuda no meu crescimento, no crescimento da minha comissão técnica, assim como a cobrança da própria torcida. Sei que no momento da glória vão vir os aplausos e no momento em que não tem (glórias) vai haver vaias, ou mesmo quando vem a glória podem aparecer vaias. Vimos recentemente o Abel Braga ser vaiado, ser chamado daquela palavra que treinador nenhum gosta, que é o famoso burro. Ele foi campeão brasileiro há quase 90 dias. Sei que o Londrina é um trampolim muito grande para a carreira de qualquer profissional. Estou contente pelo momento que vivemos. Estou muito satisfeito, muito feliz. Eu só tenho agradecer vocês (jornalistas) pelo crescimento. Nós todos crescemos. Sei entender o lado da imprensa, do torcedor. Estou começando a carreira, estou engatinhando e fico feliz porque estou em um clube de massa e nós estamos tendo resultado. Mas isso credito à minha comissão técnica, ao apoio que o Sérgio deu e ao grupo de jogadores, que comprou a filosofia de trabalho".
Torcida
"Não há dúvida que é fundamental para nós. Aqueles que foram ao estádio estão de parabéns, até aqueles que nos vaiaram. Não é só com aplauso que o time cresce. Às vezes, na vaia, te dá uma confiança a mais, o grupo se une mais, cresce em prol do objetivo. Mas gostaria de ver aquele estádio (no domingo) com no mínimo 15 mil pessoas".
Oscilação
"Nós tivemos dois momentos cruciais. Primeiro o jogo do Paraná, que realmente temos que entender que fomos lá e fizemos um jogo displicente. Voltamos, fizemos um jogo bom com o Arapongas, mas faltou um algo mais para ganhar. Diante do Cianorte, aquele resultado no finalzinho do jogo foi o que deu moral para reequilibrarmos. Depois tivemos uma conversa só eu e os jogadores e houve o fortalecimento do grupo comigo. Pedi para deixarem os comentários da imprensa, do torcedor e nos concentrar em nós, para aquilo que temos que fazer. Chegou a hora de focar no nosso objetivo e o grupo teve a capacidade de se reestruturar e buscar esses quatro resultados. Nós demonstramos que este ano é diferente. Não somos cavalos paraguaios, não".
Arbitragem
"Perdemos alguns árbitros experientes do nosso quadro. Há uma renovação muito grande. O presidente da comissão de árbitros, o Afonso (Victor de Oliveira) está fazendo um trabalho fantástico. Ele está procurando renovar a arbitragem e do dia para a noite não vão surgir árbitros assim com personalidade e confiança. Vão errar, pode ser para o nosso lado ou para o Coritiba. Está todo mundo com um pé atrás porque contra o Coritiba aqui no ano passado teve um pênalti grotesco que o árbitro não deu, depois lá teve um gol mal anulado. Entendo até, mas prefiro confiar que a arbitragem vai vir e fazer um bom jogo como tenho certeza vai ser a partida".


