De Cianorte para Madri, graças ao futsal
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sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
A goleira Néia, 21 anos, da Unopar/Londrina/Grêmio/Sercomtel vai realizar um sonho de infância: conhecer um outro País jogando pela seleção brasileira. Ela foi convocada pela terceira vez para a seleção feminina de futsal e ficará uma semana em Madri, entre os dias 3 e 11 de dezembro, disputando amistosos contra a seleção espanhola. Serão três partidas, para retribuir os amistosos que a equipe espanhola fez contra o Brasil no ano passado.
Para Néia, viajar com a seleção é uma oportunidade única, mas ela vê novas chances pela frente, já que ainda é jovem - a outra goleira convocada foi Joziane, do bicampeão brasileiro Kindermann-SC, que tem 23 anos. ''Mudou toda a comissão técnica da seleção e este ano estão com uma filosofia diferente de trabalho, optando por jogadoras novas. Acho que isso contou a meu favor, mas tem também o fato de que jogo bem com os pés e saio bastante da área'', observou.
Será a primeira vez que a goleira, nascida em Cianorte, viajará ao exterior. ''Conhecer outros países é sonho que qualquer um tem, mas viajar convocada por uma seleção brasileira não tem preço'', comemorou a jovem revelação do time dirigido pela técnica Vanda Sanches.
As outras competições internacionais que ela disputou foram no Brasil. Primeiro, jogou os três amistosos contra a Espanha, em Londrina, Maringá e Barueri-SP. Depois, participou do 1º Campeonato Sul-Americano Feminino, em Barueri, quando o Brasil se sagrou campeão invicto. Sua companheira na competição foi a pivô Jayne, também da Unopar.
Início - Lucinéia Lopes do Nascimento começou a jogar futsal aos 10 anos, em Cianorte, em uma escolinha local. Participou de jogos escolares até os 14 anos, quando passou a disputar competições adultas. Foi quando jogou por equipes de Maringá no futsal e também no futebol de campo. Nos gramados, a experiência foi curta, de apenas seis meses. ''Para jogar campo, a minha altura não ajudava muito'', lembra Néia, que tem 1m63 de altura. Mas ela garante que preferiu o futsal por gostar mais da movimentação na quadra que nos campos.
Como jogava apenas aos finais de semana, Néia continuou morando com os pais em Cianorte. A decisão de vir para Londrina, em 2002, alavancou sua carreira, mas ao mesmo tempo foi uma opção dolorosa, afinal a garota havia perdido a mãe há apenas um ano. ''Eu senti muito a falta dela e até por isso meu pai não concordava que eu viesse morar sozinha em Londrina (tinha 16 anos). Lembro que quem me deu força para vir pra cá foi uma irmã à qual eu me apeguei muito'', disse Néia, com lágrimas nos olhos.
Logo que chegou à Unopar, Néia conquistou três títulos em apenas um ano: dos Jogos da Juventude do Paraná (Jojup's), Jogos Abertos (JAP's) e Taça Paraná. ''Ela pegou experiência rápido e desde 2004 é a nossa goleira titular. Mas o que ajudou muito ela a evoluir foram os treinamentos específicos com o nosso preparador de goleiros, Hélio Sanches, a partir de 2005'', conta a técnica Vanda. Sanches imprimiu nos treinos a sua experiência anterior com goleiros de handebol. ''É um trabalho que exige coordenação, agilidade e velocidade de reação da atleta. E a Néia pegou rápido'', elogiou o treinador.


