Jesus, o iluminado
Todo ano é a mesma coisa: surge um garoto, em um time grande, que faz dois ou três gols em algum time de empresário de algum campeonato estadual e nós, jornalistas esportivos, já o rotulamos como o novo fulano, o sucessor do beltrano, a reencarnação do sicrano. É a tal necessidade de manchetes ou mesmo de fomentar novos ídolos. A grande maioria desses futuros deuses não vingam.
O caminho até o verdadeiro estrelato ou à carreira vitoriosa e, consequentemente milionária, só é feito com excelência se este jogador tiver uma série de fatores caminhando consigo. Qualidade, técnica, raça, vontade de vencer, humildade, estrela, sorte, competência, respeito, personalidade e por aí vai.
Aqui em Londrina temos um exemplo. Quando surgiu, aos 16 anos, na Portuguesa, Celsinho foi logo alçado ao posto de Ronaldinho Gaúcho do Canindé. Uma década depois, a constatação é de que apenas o cabelo seguiu os passos de R10.
Este último ano vimos duas "joias" brasileiras serem ovacionadas e rotuladas antes e depois de serem negociadas com potências europeias. Os "Gabrieis", porém seguiram caminhos distintos no Velho Continente. Enquanto o Jesus trilha o percurso de ser uma santidade no Manchester City, Gabigol vive seu calvário na Inter de Milão.
Aí voltamos naqueles fatores que definem o futuro de um jogador. Jesus reúne todos. Sempre humilde, continua tão raçudo quanto competente. Foi assim que marcou os dois gols de ontem. São três em quatro jogos. Ah, bota duas assistências na conta. Ainda mandou Agüero para o banco. Aos 19 anos, o garoto, titular de Tite na seleção brasileira, tem estrela e começa a trilhar uma bela história na Europa. Já o xará, fora da seleção, esquecido na Inter, precisa rever os conceitos, esquecer os conselhos do prepotente e arrogante agente e treinar, treinar e treinar. Quem sabe um telefonema a Jesus e uma boa conversa possam, com o perdão do trocadilho, salvar a carreira europeia do "sucessor de Neymar".

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