Esporte Atualizado em 30/01/2017, 00:01
De casa
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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
RAFAEL FANTIN<br> [email protected] 
A dona Fifa entende muito de bolada, mas quase nada de bola. Depois das trapalhadas no último Mundial de Clubes na tentativa de usar o recurso do vídeo na arbitragem, a nova Fifa começou o ano mostrando que continua muito parecida com a velha.
No mesmo mês, a Fifa coloca em risco o futuro do futebol e despreza o passado. Primeiro, apresenta um projeto com interesses políticos e comerciais para ampliar o número de seleções em Copas a partir de 2026. O grande evento do futebol no planeta, aguardado pelos amantes da bola de quatro em quatro anos, corre o risco de perder o prestígio e, principalmente, a qualidade técnica em troca dos votos dos cartolas e da audiência em países com menos tradição no futebol. A última Copa com 32 seleções será no Catar, em 2022, sede escolhida sob a suspeita de compra de votos.
Na última sexta-feira, a Fifa perdeu mais uma oportunidade de ficar calada e resolveu, arbitrariamente, que os títulos mundiais de clubes só existem a partir de 2000, quando a entidade máxima do futebol começou a organizar o torneio. Ou seja, o Santos de Pelé, o Flamengo de Zico, o Grêmio de Renato Gaúcho e o São Paulo de Telê nunca foram campeões do planeta, na visão míope da cartolagem. A reação dos clubes foi de indiferença, como já era esperado devido à falta de critérios e credibilidade da Fifa. Juntos aos gigantes do futebol nacional, outros times históricos perderiam o "status" de maior do mundo, como o Ajax-1972, base do Carrossel Holandês com Johan Cruyff.
Desde 1960, o Mundial de Clubes sempre existiu com ou sem o patrocínio da Fifa, o que não muda, em nada, o que é mais importante para o torcedor: craques, gols, lembranças e títulos. A postura da Fifa e a memória ruim dos cartolas não surpreendem. A entidade foi dirigida por décadas pela mesma família que comandou a CBF por anos. Quando o assunto é bola, patrimônio e história, o desdém é a regra deles.
No final de 1983, um capítulo triste mostra como o nosso futebol é tratado e, infelizmente, pouca coisa mudou. Em dezembro daquele ano, a taça Jules Rimet foi roubada da sede da CBF, no Rio. Enquanto a peça de mais de três quilos de ouro, que passou pelas mãos de Bellini, Mauro e Carlos Alberto, era exposta sem segurança, uma réplica permanecia bem guardada no cofre da CBF. Recomendo o filme o "O Roubo da Taça" (disponível no Netflix) com a bela Tais Araújo. Uma comédia que mantém os principais detalhes reais desta história. Afinal, tem que rir para não chorar quando o assunto é a administração do nosso futebol. Por favor, alguém pode salvar o Maracanã?
Enfim, o futebol é tão grande e tão presente no cotidiano. Um esporte imensurável que suporta e sobrevive aos desmandos e à incompetência de gente interessada em outras boladas. Boa semana!


