Mais uma Olimpíada está em curso e mais uma vez vemos os EUA deitando e rolando. Nos Jogos do Rio, chegaram ao impressionante número de mil medalhas de ouro. Mais uma vez vemos o Brasil, desse tamanhão, ter participação pífia. Só para ter uma ideia, o monstro Michel Phelps tem 23 medalhas de ouro. O Brasil, na história dos jogos, conquistou 24 até ontem à tarde. Uma vergonha! Esportivamente, o Brasil está anos luz atrás de muita gente. A diferença é simples: a política esportiva de cada nação e a importância que quem a comanda dá ao esporte como forma de inclusão social, qualidade de vida e saúde pública.
Não dá para formar campeões, na vida ou no esporte, sem uma política de iniciação esportiva na escola. Todas as potências do esporte colocam a criançada para praticar desde pequena, com didática adequada, professores capacitados, ídolos presentes no dia a dia, incentivos financeiros e campeonatos organizados e fortes. Não é dando a bola pra molecada correr atrás dela na aula de educação física em quadras caindo aos pedaços como se faz por aqui.
Apesar das Olimpíadas Escolares, ainda não dá para falar que o esporte escolar é realmente forte. No "profissional", então... Aliás, é só pegar a forma como o basquete vem sendo tratado pela Confederação Brasileira que podemos exemplificar o modo como se faz esporte por aqui. Neste ciclo olímpico, foram despejados caminhões de dinheiro nas confederações. Seus "donos", perpetuados no poder, fizeram de tudo com essa grana, menos fortalecer suas modalidades.
A falta de projetos está em todas as esferas públicas, salvo raras exceções. Por exemplo: o valor disponível no último edital do Fundo Especial de Incentivo a Projetos Esportivos (Feipe) em Londrina para o programa de Formação Esportiva da Juventude foi de R$ 1.473.000. Essa grana foi dividida pelos 22 conveniados, o que dá quase R$ 6 mil por mês para cada projeto.
Se você quiser praticar alguma modalidade com seu filho em uma quadra pública aqui na cidade vai gastar o dia tentado achar uma que não esteja destruída e não vai conseguir. Isso é realidade na maioria das cidades.
Enquanto não botarmos as crianças para praticar esportes de forma correta, será assim: os potenciais futuros medalhistas olímpicos serão abraçados pela oportunidades que surgirem em suas vidas, muitas vezes na criminalidade, e o Brasil ficará com sua medalha de lata como campeão em juventude perdida. É preciso aprender que as vitórias começam justamente na sala de aula.

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