Dunga. Quase todo brasileiro usa o treinador para justificar o fiasco que é a seleção brasileira atual. "Dunga não entende nada", "Dunga não é treinador", "Dunga convoca mal, escala mal, se veste mal...". Enfim. Mas será que o problema é ele mesmo? Tenho cá minhas dúvidas. Não estou aqui para defender o comandante da Seleção. Também acho que ele não deveria estar no cargo, mas não vejo materializada nele a fragilidade da equipe nacional. Afinal, a convocação que vocês fariam seria tão diferente da dele?
Além dos problemas extracampo com a cartolada que gosta muito de dinheiro e de pegar mulheres com idade para serem suas netas, são vários outros fatores que culminaram para que o selecionado nacional virasse uma Honduras melhorada. Além da prepotência do "aqui é o país do futebol", ou "somos pentacampeões", existe a safra de boleiros, que não é lá aquelas coisas, e a má vontade de muitos deles, que estão milionários e têm muitas outras preocupações ao invés de dar o sangue pelo Brasil – a tatuagem nova, a careta pro próximo selfie, a próxima balada.
Mas ainda acima de tudo isso, existe a dependência do único jogador que realmente é acima da média entre a boleirada brasileira. Neymar, um dos mágicos do time mais encantador do planeta, o cara que tem um dom impressionante para o futebol. Mas também o cara que tem um ego do tamanho equivalente e que joga para ele e não para a seleção.
Neymar do Barcelona é um, da Seleção é outro. E não digo em termos de rendimento, desempenho, mas sim em termos de personalidade, de companheirismo e de humildade.
Neymar cresceu ouvindo de seu pai e seu staff que era semideus, que era intocável. Está acima do bem e do mal. Onde já se viu a justiça questionar os milhões dos quais ele é acusado de sonegar? Neymar da seleção pega a bola e toca quando quer, para quem quer. É fominha, reclama exacerbadamente quando o companheiro não passa para ele e, quando tem que escolher entre o próximo jogo vestindo verde e amarelo e uma balada boa, sempre tem uma carta na manga. Carta não, cartão. Amarelo ou vermelho.
Fosse outro jogador, que tivesse noção de sua importância para resgatar a honra do futebol brasileiro, agiria como tal. Mas enquanto for tratado como santidade, vamos continuar desta forma.

SÃO MARCELO
Para fechar, preciso resumir o que foi o empate entre Londrina e Atlético pelas quartas de final do Paranaense: ah se não fosse o Marcelo Rangel...

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