Duas coisas, ou melhor, duas respostas chamaram a atenção na entrevista que Tite concedeu ao Galvão Bueno no Esporte Espetacular da semana passada. Quando perguntado o que um treinador deve ser para conquistar o respeito e a confiança dos jogadores – se paizão, se disciplinador, ou um pouco de cada –, Tite respondeu simplesmente: "Justo".
E a segunda: ao listar todos os títulos conquistados pelo treinador – Estadual (Caxias, Grêmio e Inter), Copa do Brasil (Grêmio), Sul-Americana (Inter), Brasileiro (Corinthians, duas vezes), Recopa Sul-Americana (Corinthians), Libertadores e Mundial (Corinthians) –, Galvão lhe perguntou como se sentia ao levantar todos os troféus que um técnico brasileiro poderia levantar.
Antes de responder, Tite o lembrou que também foi campeão da segunda divisão do Gaúcho pelo Veranópolis, em 1993. "Foi ali que tudo começou", justificou, indicando que aquele primeiro título lhe foi tão especial quanto todos os outros.
Talvez isso ajude a explicar por que Tite seja uma unanimidade entre seus jogadores – algo raro no meio. É que o cidadão Tite parece superar o treinador Tite. Há técnicos muito bons no que fazem sem que sejam tão bons assim no que são. E o contrário também acontece.
Prefiro a leva que consegue aliar as duas virtudes. Daí minha simpatia pelo Tencati, embora não o conheça além do que leio, vejo e ouço pela imprensa. A atitude de levar seus companheiros de comissão técnica à primeira entrevista coletiva pós-acesso para a Série B, para que os méritos da conquista fossem divididos entre si, foi só um exemplo do que deve ser o cidadão Tencati. Em tempos de escassez ética em todas as áreas e em todos os níveis, colocar o humano a serviço do profissional vale muito.

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