De casa - Dura realidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de outubro de 2015
Gilmar Agassi <br>[email protected] 
Num passado nem tão distante, o Brasil dispunha de uma série de craques em sua seleção de futebol. Desfalques eram compensados pela presença de outro jogador de nível similar. Não havia dependência de um único jogador fora de série, mesmo quando desfilavam com a camisa amarelinha nomes como Pelé, Zico, Romário e Ronaldo, apenas para citar alguns dos maiores.
A realidade atual é assustadoramente diferente. Sem Neymar, a seleção brasileira não consegue fazer frente a qualquer equipe do primeiro escalão do futebol mundial. Até mesmo os chilenos, outrora fregueses de carteirinha da nossa seleção, nos vencem, com direito a olé. Meus Deus, que sacrilégio!
Chama atenção em nossa seleção, a falta de poder ofensivo, antes nossa principal característica. O time de Dunga, primeiro, pensa em não perder. Se der e não correr muitos riscos, busca a vitória.
No revés para o Chile, os meias e atacantes ficavam tocando a bola de um lado para o outro, sem conseguir superar a marcação chilena. Faltou criatividade, faltou genialidade, algo que apenas o atacante do Barcelona dispõe em seu repertório de jogadas.
O Brasil tem sim outros jogadores de qualidade, a maioria atuando em grandes clubes da Europa. Porém, nenhum deles é protagonista em seu time. Douglas Costa, por exemplo, chegou com moral ao Bayern de Munique. Vem sendo muito elogiado pelo início de temporada. Ao seu lado, porém, estão as grandes estrelas da campeã mundial Alemanha, como Neuer, Lahm, Müller e Götze, e o artilheiro polonês Lewandowski. William também tem papel importante no Chelsea, menor, porém, que o do belga Hazard ou mesmo de Diego Costa, brasileiro naturalizado espanhol.
Isso posto, é fácil concluir que a safra atual do futebol brasileiro não nos permite sonhar com um título mundial em um curto espaço de tempo. Estamos, na verdade, em uma situação impensável há alguns anos: torcendo para não ficar de fora da Copa da Rússia, em 2018. Não duvide que isso, infelizmente, possa vir a acontecer.
É esperar e torcer muito, a começar pelo jogo de amanhã contra a Venezuela. Contra quem? Isso mesmo, Venezuela. Nem contra o saco de pancadas do continente devemos ganhar com facilidade. É a dura realidade do futebol brasileiro!


