Um planejamento minucioso, uma preparação adequada, bons jogadores e uma comissão técnica competente. Esses, talvez, sejam os ingredientes que levaram o Cianorte a se tornar a grande surpresa do Campeonato Paranaense. De uma incógnita no início da competição, quando muitos acreditavam que a equipe lutaria para não retornar à Segunda Divisão, a um dos candidatos ao título. O Cianorte vem surpreendendo e pretende continuar, dessa vez, na semifinal contra o Coritiba.
Não foi à toa que o Cianorte se tornou a sensação do campeonato, a melhor equipe do interior, atrás apenas de Atlético e Coritiba. A equipe conta com uma diretoria composta por empresários da cidade, a maioria do setor de confecções, que trabalha com os ''pés no chão'', como eles fazem questão de dizer. O ramo de confecções, inclusive, é a principal atividade econômica da cidade, conhecida como ''Capital do Vestuário''. São cerca de 300 empresas que empregam oito mil pessoas diretamente.
Não falta também o apoio incondicional dos torcedores que lotam o Estádio Albino Turbay e empurram a equipe, que está invicta em casa. A cidade de 70 mil habitantes está muito empolgada com a campanha da equipe. Em toda a história do time, um 9º lugar na década de 70 foi a melhor colocação no Paranaense. Depois disso, foram mais de 20 anos sem futebol profissional na cidade.
O diretor de futebol Luís Carlos Bersani lembra que a atual diretoria assumiu a equipe em 2002. O time foi formado às pressas para disputa da Segunda Divisão, o que inviabilizou o acesso naquele ano. Em 2003, com uma preparação maior, a equipe chegou ao vice-campeonato e garantiu presença na primeira divisão.
A diretoria iniciou bem antes a preparação para o Paranaense 2004. No dia 1º de novembro chegava a Cianorte o técnico Caio Júnior, a primeira grande cartada da diretoria. Juntos, técnico e diretoria, saíram atrás dos reforços, pois somente três jogadores ficaram do time que subiu de divisão. Bersani afirmou que o primeiro pedido feito ao técnico foi para formar uma equipe competitiva, formada por jogadores jovens e outros mais experientes. ''Nossa torcida é muito exigente'', comentou.
Sem muito dinheiro à disposição, a folha de pagamento gira em torno de R$ 40 mil, mas com muitos amigos no futebol, Caio Júnior convenceu vários jogadores a enfrentarem o desafio de vestir a camisa do Cianorte. ''Eles poderiam ganhar mais em outras equipes, mas aceitaram nossa proposta'', observou o técnico.
O diretor de futebol recorda que o objetivo inicial era não cair para a Segunda Divisão. Queriam ficar entre os seis primeiros na primeira fase e não precisar jogar o Torneio da Morte, que definirá os dois rebaixados. Com os bons resultados nos primeiros jogos, entre eles um sonoro 3 a 0 no Londrina, jogando fora de casa, a diretoria percebeu que tinha acertado na escolha da comissão técnica e do elenco. ''Queremos disputar a Copa do Brasil em 2005'', ressaltou Bersani.

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