A técnica londrinense de ginástica rítmica (GR) Dayane Camillo embarca em janeiro para Santa Cruz de la Sierra onde irá ministrar treinamentos para as seleções de base da Bolívia. Será a primeira experiência deste tipo de trabalho da treinadora, que está completando dez anos de carreira.
O convite surgiu após a disputa do Campeonato Sul-americano este ano na Bolívia. "Gostaram das nossas coreografias de agora e também do ano passado. Fiquei feliz com a oportunidade. É uma maneira de levar o meu trabalho para fora do Brasil e um reconhecimento também da qualidade de GR brasileira", apontou Dayane.
A treinadora vai montar 27 coreografias para as equipes pré-infantil, infantil e juvenil e após os primeiros treinos algumas ginastas bolivianas virão treinar por um período com Dayane em Londrina. Ainda distante das principais equipes sul-americanas de GR, a Bolívia busca, com este intercâmbio, qualificar a modalidade. "Terei muito trabalho por lá. A Bolívia tem boas meninas, com capacidade, mas é preciso saber trabalhar e ter boas coreografias", revelou.
Dayane Camillo fez parte da geração mais vitoriosa da história da GR brasileira. Foram 20 anos como atleta, dos quais 13 na seleção brasileira. Dona de três medalhas pan-americanas (dois ouros e um bronze), a londrinense participou de duas olimpíadas – Sidney, em 2000, e Atenas, em 2004 -, ano em que abandonou as quadras aos 26 anos. "Acredito que tinha condições físicas para mais um ciclo olímpico, mas a decisão da Bárbara (Laffranchi) de deixar de ser treinadora colaborou para a minha escolha. Não me via treinando com outra técnica".
A treinadora, que levou a GR brasileira a outro patamar e a ser reconhecida internacionalmente, teve papel decisivo também na transição da Dayane atleta para a comandante. "Nunca tive a intenção de ser técnica". "Na primeira reunião de 2005 com todas a treinadoras, a Bárbara me convidou. Não entendi e a questionei o porquê? Ela respondeu que como eu estava 'desempregada' agora devia começar a trabalhar como técnica", lembrou, Dayane. "Falou que eu seria melhor que ela. Impossível. Ela é insubstituível".
A ex-ginasta conta que no início sofreu muito, pois ainda se via como atleta e queria estar competindo, além de ser muito perfeccionista em todos os detalhes. "Não me enxergava como treinadora. Chorei muitas vezes. Várias pessoas me ajudaram e chegou um momento que reuni as meninas e resolvi encarar de verdade. No primeiro Brasileiro, fomos campeãs. Depois disso virou um vício. E hoje faço isso com muito amor", garante.
O trabalho na Bolívia não vai tirar Dayane Camillo de Londrina. Muito pelo contrário. A treinadora segue na equipe da Unopar e tem uma missão pela frente. "Quero preparar a Heloísa para a Olimpíada de 2020". Heloísa Bornal, de 14 anos, é mais uma das grandes revelações da GR londrinense. Na ginástica desde os cinco anos, Heloísa, em 2015, foi campeã dos Jogos Escolares Brasileiros, terceira colocada no Brasileiro individual, além de ter conquistado três medalhas no Sul-americano. "O talento dela é reconhecido em todo o Brasil. Ela tem biotipo de ginasta. É longilínea e tem estilo próprio. Todos me dizem que ela é o retorno da Dayane às quadras", relata, orgulhosa. "É o meu maior desafio".

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