Davis confirma popularização do tênis
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domingo, 09 de abril de 2000
Por Chiquinho Leite Moreira 
Rio de Janeiro, 10 (AE) - A Copa Davis no Rio, com quadra lotada nos três dias de jogos e um público bem mais íntimo da linguagem e dos detalhes do esporte, comprovou uma tendência que despertou em 1997, com a mágica conquista de Gustavo Kuerten, em Roland Garros. A diferença agora é que não se trata de uma nuvem passageira e o tênis se firmou como um esporte muito mais popular, embora ainda apresente traços de elite. O ingresso mais barato no clube Marapendi era de R$ 75,00
o que certamente daria para assistir vários jogos de futebol no Morumbi. A transmissão das partidas também esteve limitada a um canal fechado, o que restringe bastante o número de telespectadores.
É claro que o tênis não é barato. Mas a chegada de um ídolo como Guga formou um público novo. É comum ouvir discussões sobre tipos de quadras - saibro, grama e cimento. A população sofisticou seus conhecimentos e revela um grau de entendimento e já fala normalmente a linguagem específica do esporte, como slices, back hand, break points e até é capaz de aportuguesar outros, como "largadinha" e passadas.
O mercado também não esconde um enorme aquecimento. Raquetes e bolinhas nunca foram tão comercializadas, como agora, dois anos depois da conquista de Guga, em Roland Garros. As academias e clubes de tênis andam cheias de alunos e o interesse cresce a cada vitória brasileira. No domingo, depois da vitória de Meligeni, o stand da Wilson no Marapendi vendeu todas as raquetes iguais as que são usadas por Fininho. Na Diadora não sobrou uma peça sequer do uniforme de Gustavo Kuerten.
Aproveitando esta popularização, o Brasil também se prepara para formar novos talentos. Nunca a Confederação Brasileira de Tênis (CBT) teve tanto apoio e interesse para realizar torneios infanto-juvenis. Estão programados dois grandes circuitos em todo o País, o Blue Life Juniors Cup e o Banco do Brasil.
A febre do tênis pegou o brasileiro. Muitos jogadores, ainda pouco conhecidos, conquistaram títulos recentemente, como Daniel Melo, Leandro Rosa, Alexandre Simoni, Ricardo Mello, Ricardo Schlachter, Eduardo Bohrer, Antonio Prieto, Flavio Saretta e Júlio Silva, além de alguns juvenis que também levantaram troféus em torneios internacionais. É o princípio de uma nova geração.
Um dos principais motivos da sustentação do tênis e das perspectivas de um crescimento ainda maior vem da força de patrocinadores, que hoje, não estão só interessados em colocar sua marca, mas também querem se envolver num projeto a longo prazo. O Banco do Brasil é um exemplo disso. Depois de levantar a bola do vôlei e levar o esporte a ganhar medalhas olímpicas, agora criou o programa Tênis Brasil, com quatro anos de contrato
renováveis por outro período igual.
Este programa não se limita a patrocinar Guga. O projeto é mais abrangente e visa o desenvolvimento do tênis no País com um circuito juvenil em vários cidades; escolinha de tênis, para crianças de 8 a 12 anos; torneio exibição, trazendo estrelas para o Brasil; torneio imprensa, para aproximar a mídia; copa de amadores, que vai reviver os antigos interclubes (que foram responsáveis pelo aparecimento de muitos jogadores); além de ainda patrocinar a equipe brasileira da Copa Davis e estar criando também uma associação de treinadores.
Com a popularização e programas abrangentes, o resultado deste maior interesse no esporte pode mesmo ser o de aparecimento de muitos outros bons jogadores no circuito mundial.


