Davis: Brasil não admite derrota
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por Chiquinho Leite Moreira 
Florianópolis, 01 (AE) - Ninguém quer falar em vingança, pensar em revanche ou entrar num clima de provocação para este confronto com a França, pela primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis, de sexta-feira a domingo, em Florianópolis. Mas também ninguém na equipe brasileira, sequer aceita comentar outro resultado que não seja a vitória e até irritam-se em ouvir a palavra derrota. O otimismo, o "alto astral" fazem parte deste time, mesmo que para isso seja necessário disfarçar os problemas e os obstáculos que representam enfrentar os regulares franceses.
A alegria dos jogadores é compulsiva, mesmo diante das dificuldades encontradas hoje para treinar. Uma chuva muito forte atingiu toda Florianápolis, com sérias consequências. A quadra da Universidade Federal de Santa Catarina - local do confronto no final de semana - ficou sem condições de uso. A solução foi buscar um local coberto, viajando 110 quilômetros para o Sul até o clube Itamirim, em Itajaí.
Por ironia, depois de uma viagem de aproximadamente 1h30 em estrada perigosa como a BR-101, um sol gostoso e bonito iluminou o treinamento dos brasileiros, que nem precisaram recorrer as quadras cobertas do clube de Itajaí. O técnico e capitão, Ricardo Acioly, foi obrigado a alterar a programação, mas com agilidade e inteligênia mudou as características do treinamento, exigindo maior intensidade, para compensar o pouco tempo de pratica.
"Aproveitamos as 2h30 de treinos em três quadras, forçando bastante, aproveitando bem o tempo", disse Acioly. "É claro que atrapalha um pouco, mas estamos todos na mesma situação, pois os franceses também tiveram de viajar."
Os jogadores entenderam bem a situação. Fernando Meligeni inclusive optou por um sistema de treinamento bem mais exigente simulando situações de jogo, na disputa de sets. A idéia é aproveitar melhor o tempo e compensar a falta de ritmo de jogos, motivada pelos resultados ruins na Austrália, tendo realizado apenas duas partidas este ano.
"Quem acompanhou o treino pode ter percebido uma certa tensão", contou Meligeni. "Mas procurei jogar bem concentrado, como se estivesse num jogo, justamente para readaptar-me melhor às condições de uma partida oficial." Gustavo Kuerten até encontrou uma boa saída para a situação. Disse que a partir de agora, o momento exige maior concentração e descanso, diminuindo as horas de quadra.
"Tudo que tínhamos de fazer para um bom preparo já foi feito", disse. "O físico está em ordem e é hora de guardar energias para os jogos." Para Guga, já não há mais favoritismo e o Brasil deve aproveitar bem as vantagens de ter a sede dos jogos, a torcida e as condições mais convenientes para seus jogadores."


