Das mesas de bares para os torneios nacionais
Nove vezes campeão paranaense, cinco vezes campeão sul-brasileiro e duas vezes terceiro colocado no campeonato brasileiro. Este é o currículo de Márcio Baggio que treina desde 1992 e forma, junto com Nilton Rodrigues, o time dos mais antigos jogadores de braço de ferro de Londrina. Nos anos 80, eles até brincavam entre amigos pela noite, como na Boate Baturité onde muitos curiosos se aventuravam em lutar contra os futuros campeões. Mas hoje, por causa da disciplina e da possibilidade de competir por medalhas em outras estados, as disputas ficaram restritas às mesas oficiais.
Para este tipo de esporte você tem que treinar pesado, senão não fica entre os três primeiros do campeonato, resume Baggio. Dentre os detalhes que fizeram a diferença na hora de não levar o título, o atleta responsabiliza a falta de treino como seu maior vilão. Como o trabalho da gente é corrido, um mês de treino que você perde faz falta naquele último minuto da final. É a resistência, que o cara que está treinando tem e você não, aponta.
Segundo Ricardo França, o esforço da equipe londrinense, que carece de patrocínio para participar de torneios em outros estados, já rendeu lugar entre os melhores do país. Dentre os que mais aparecem no esporte, representantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso costumam ter trabalho para derrotar os paranaenses. Da última vez que participamos de um torneio de equipes, enquanto havia equipe com 30 ou 40 atletas, fomos com 10 e ainda trouxemos o vice campeonato, relembra França, orgulhoso.
Outro momento curioso foi vivido por Nilton Rodrigues, que chegou a viajar para São Paulo para disputar um campeonato sem nenhum dinheiro no bolso. Com a cara e a coragem eu consegui ficar em quarto lugar jogando com as duas mãos. As pessoas que disputam fazem por amor, por vontade, opina.
As esperanças dos jogadores de braço de ferro melhorarem suas condições de competição depende da inclusão do esporte nos Jogos Olímpicos. França acredita que tal visibilidade possibilite a formação de um público cativo e, quem sabe, abrir as portas para futuros patrocinadores. É o nosso maior desafio, coisa muito difícil para esporte amador. Por enquanto, nosso esforço vale apenas o status de atleta, afirma. (R.O.)





