O lateral Danilo, um dos líderes da seleção brasileira, adotou um discurso franco durante entrevista coletiva concedida em Nova Jersey, onde a equipe comandada por Carlo Ancelotti se prepara para a sequência da Copa do Mundo. O defensor, que pode começar entre os titulares na partida contra o Haiti, nesta sexta-feira (19), às 21h30, pela segunda rodada do Grupo C, admitiu que o desempenho do Brasil no empate por 1 a 1 com Marrocos, na estreia, gerou preocupação dentro do elenco.

“A melhor forma de crescer é encarar tudo com clareza. Temos que reconhecer que aquele primeiro tempo esteve muito abaixo das nossas capacidades”, afirmou.

Danilo também apontou os impactos da instabilidade vivida pela seleção nos últimos anos, marcada por sucessivas mudanças de comando e de ideias de jogo.

“A falta de uma identidade consolidada e as constantes trocas influenciam diretamente na ansiedade. Quando você tem algo sólido, consegue se apoiar nisso nos momentos difíceis. Foi algo que não conseguimos construir”, lamentou.

O lateral relembrou ainda a derrota por 2 a 1 para a França em amistoso preparatório e revelou uma conversa que teve com os companheiros após a partida. Segundo ele, o Brasil ainda não apresenta o mesmo grau de maturidade de algumas seleções consideradas favoritas ao título, mas segue competitivo e capaz de chegar longe no torneio.

“Depois do jogo contra a França, eu disse ao grupo que ainda não tínhamos a mesma maturidade deles ou da Argentina. Isso não significa que não possamos ir longe. Precisamos encontrar outros caminhos. Talvez, não pressionar tão alto, abrir mão da posse de bola em alguns momentos. Isso também é maturidade”, avaliou.

Apesar das críticas, Danilo destacou a qualidade individual do elenco brasileiro e a capacidade de decidir partidas mesmo em cenários adversos.

“Temos Raphinha, Vini, Endrick, Rayan. Quando surgir uma oportunidade, temos jogadores capazes de fazer a diferença”, ressaltou.

O defensor também pregou maior espírito de sacrifício para a equipe ao longo da competição e reforçou que o Brasil continua entre os candidatos ao título.

“As outras seleções evoluíram muito. A formação de jogadores e equipes melhorou no mundo todo, e a diferença entre vencer, empatar ou perder é cada vez menor. O Brasil sempre estará entre os protagonistas. Temos talento de sobra e uma história construída por muitas gerações que precisa ser respeitada. Cabe a nós honrar esse legado e ter espírito de sacrifício para buscar mais uma estrela”, completou.

Treino e possíveis mudanças

A seleção brasileira voltou a treinar nesta quarta-feira (17) com novidades. Neymar participou pela primeira vez de atividades com bola durante a Copa do Mundo. Na terça, o atacante havia realizado apenas trabalhos leves de recuperação.

As principais novidades, porém, ficaram por conta dos testes promovidos por Carlo Ancelotti. O treinador promoveu alterações na equipe durante a atividade e utilizou Danilo, Léo Pereira, Fabinho, Martinelli e Luiz Henrique entre os jogadores que atuaram com coletes da equipe considerada titular.

A definição do time que enfrentará o Haiti deve ocorrer apenas no treinamento desta quinta-feira (18), o último antes da viagem para a Filadélfia, palco da partida pela segunda rodada da fase de grupos.

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