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Esporte

m de leitura Atualizado em 01/07/2022, 11:32

Danielzinho largou atletismo por má-influência e voltou para ser novo astro

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de julho de 2022

BEATRIZ CESARINI E VANDERLEI LIMA
AUTOR autor do artigo

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SÃO PAULO, SP, E RIO DE JANEIRO, RJ (UOL-FOLHAPRESS) - Daniel Nascimento tem apenas 23 anos de idade, e uma história de gente grande. O melhor maratonista do Brasil na atualidade virou promessa aos 17 anos, mas acabou deixando o atletismo de lado por conviver com influências negativas. Apesar disso, o esporte falou mais alto e o trouxe de volta para o caminho certo que o levou à elite da modalidade.

Só no mês de junho, Danielzinho, que é atleta da Adidas, foi campeão da Meia Maratona da Maratona do Rio e bicampeão dos 10.000m do XLI Troféu Brasil Interclubes de Atletismo.

O jovem nasceu em Paraguaçu Paulista, cidade do interior de São Paulo, e se descobriu como fundista durante treinamentos de futebol. Danielzinho era volante na categoria de base do Panfort e se destacava pela intensidade de marcação, velocidade e condicionamento físico.

"O meu treinador Derly Antônio me chamou de canto e falou que eu deveria ir para o atletismo. Ele é incrível. Acabei seguindo o conselho dele e fui para o atletismo no ano de 2013, onde eu conheci os treinadores Regiane e Evandro. Me destaquei muito rápido e, em três meses, eu estava indo para o sul-americano já, conquistando o meu primeiro título", disse Danielzinho ao UOL Esporte durante a Maratona do Rio de Janeiro.

Paraguaçu Paulista ficou pequena para o talento do jovem atleta, que foi representar a equipe Orcampi, em Campinas. A mudança de ares fez bem. Em 2017, Daniel bateu o recorde sul-americano sub-20 dos 10.000m.

Apesar disso, a carreira promissora de Daniel foi interrompida no fim de 2018, quando ele lesionou o tendão de Aquiles durante a tradicional corrida de São Silvestre. Mas não foi só isso. O atleta conta que teve sua saúde mental prejudicada e acabou se envolvendo com influências negativas que o tiraram do eixo e quase o tiraram do esporte.

"Sim, realmente aconteceu de eu andar com influências ruins. As pessoas que você traz pra sua volta definem quem você é. Se tem uma pessoa negativa isso pode atrapalhar tudo", disse o atleta.

"Eu tinha muitos amigos fora do ambiente esportivo? Comecei a sofrer um pouco da parte psicológica através de amizades que eu tinha quando fiquei afastado. Todo mundo me olhava e pensava que eu estava me envolvendo com drogas e com essas coisas, mas nada disso aconteceu. Meus treinadores também me alertavam para essas amizades e, então, quando voltei para o atletismo, fiquei sozinho, até sem técnico", completou.

Sem treinar, o atleta retornou à cidade natal e foi trabalhar na roça com a sua família. Essa era a única possibilidade que ele enxergava para a vida até que a mãe Valdirene de Paula Ferreira, preocupada com a frustração e infelicidade do filho, insistiu para que Daniel desse uma segunda chance ao esporte.

"Fiquei nessa, de trabalhar na roça, por uns seis meses e, então, a minha mãe me aconselhou: 'Filho, volta para o atletismo. Isso aqui não é pra você'. Foi aí que eu levantei as minhas orelhinhas e ouvi o conselho de mãe que é muito importante", exaltou Danielzinho.

A Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA) acolheu Daniel e, assim como no início da carreira, ele não demorou para decolar. No fim de 2019, o atleta correu a São Silvestre e terminou em 11º colocado, a melhor posição entre os brasileiros que competiram na prova.

Daniel conquistou outros títulos importantes até que a pandemia de covid-19 assolou o mundo e fechou muitos centros de treinamento. Desta vez, o jovem não desistiu e teve a oportunidade de treinar no Quênia, o berço da elite da maratona.

"Sempre tive o sonho de ir para o Quênia. Veio a pandemia e eu estava sempre me preparando, treinando, mas respeitando o isolamento. Treinava no canavial até que o grupo Blu Logistics Brasil apareceu e me fez esse convite: 'vamos para o Quênia?'. Eu respondi 'só se for agora', e eles pagaram essa passagem. O meu clube (ABDA), na época, também ajudou e acreditou nesse projeto", contou Daniel.

"Fiquei encantado. Lá, as crianças lidam com o atletismo da mesma forma que os pequenos brasileiros lidam com futebol. É um sonho e uma maneira de ter oportunidades melhores na vida. É comum ver grupos de crianças voltando da escola correndo juntas. Eles focam nos estudos e na carreira. E a persistência conta muito, então quando aparece a oportunidade, eles agarram com unhas e dentes. Quando chega nas maratonas na Europa você vê os quenianos batendo recorde é a oportunidade que ele está agarrando", completou.

Inspirado na persistência dos quenianos, Daniel venceu a primeira maratona em que participou, em maio de 2021, na cidade de Lima, no Peru. De quebra, garantiu a qualificação para as Olimpíadas de Tóquio, com 2h09m04s.

Não é difícil explicar o fenômeno Danielzinho. Em abril de 2022, ele participou da Maratona de Seul, na Coreia do Sul e, na quarta prova longa da carreira, cravou 2h04m51s, superando as 2h06m05s de Ronaldo da Costa. Com esse resultado, Daniel Nascimento se tornou o melhor não-africano da maratona.