Danelon presta depoimento longo na PF
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quarta-feira, 28 de setembro de 2005
Agência Estado 
São Paulo - O árbitro Paulo José Danelon, ligado à Federação Paulista de Futebol (FPF), chegou à sede da Polícia Federal por volta das 13 horas de ontem, acompanhado de seus dois advogados. Não quis se manifestar antes de prestar depoimento aos promotores do Gaeco e agentes da PF que investigam a fraude na arbitragem do futebol brasileiro.
O nome do árbitro surgiu em conversas telefônicas grampeadas. Ele está envolvido com a máfia do apito. ''Ao que tudo indica, o senhor Danelon cooptava árbitros para o esquema da quadrilha encabeçada pelo senhor Nagib Fayad, o Gibão. Danelon está envolvido até o pescoço. Ele está mergulhado neste mar de corrupção. Não há dúvidas disso'', disse o promotor Roberto Porto, que chegou à sede da Polícia Federal pouco antes das 14 horas para o interrogatório do juiz.
Os promotores do Gaeco não trabalham com outros nomes a não ser o de Edílson Pereira de Carvalho e Paulo José Danelon. Um terceiro árbitro, Romildo Correa, foi citado nos interrogatórios, mas a PF não tem provas concretas nem indícios de sua participação no esquema fraudulento. Mesmo assim, os promotores pensam em ouvi-lo no momento certo das investigações.
Quem também esteve na sede da Polícia Federal foi o advogado Cássio Paoletti, que defende o empresário de Piracicaba, Nagib Fayad. O advogado votou a afirmar que seu cliente é um jogador inveterado e que teve contato apenas superficial com os árbitros Edílson e Danelon.
Paoletti, no entanto, não se refutou em afirmar que a atitude de Nagib Fayad de tentar comprar árbitro e pagar pelo serviço de armação de jogos também é imoral. Ele voltou a apontar Edílson Pereira de Carvalho como principal responsável pelas armações. ''O meu cliente não fraudou nada, até porque ele não tinha o apito na boca. E alguns pagamentos que ele fez em função da promessa de resultados foram absolutamente o inverso do esperado.''
O advogado confirmou que Nagib Fayad pagou pelos serviços de Edílson em três ou quatro oportunidades. Disse que seu cliente trabalhou sozinho, sem envolver qualquer outra pessoa no esquema, e que está quebrado financeiramente. Segundo Paoletti, Nagib, Edílson e Danelon se conheceram na própria jogatina. ''Ele é mais uma vítima de tudo isso'', defendeu o advogado do empresário.
Não é o que a Polícia Federal acha. Os promotores do Gaeco disseram ontem já terem identificado um quarto envolvido no esquema, de nome Wanderlei. ''Ele será ouvido na hora certa, mas nós já sabemos quem ele é'', garantiu o promotor Roberto Porto.
Aliciamento - O ex-árbitro de futebol João Paulo Araújo, de 53 anos, confirmou que foi aliciado para tentar corromper árbitros do quadro nacional a favor do que está sendo chamado de ''Máfia do Apito''. Morador de Piracicaba, onde estão centralizados os negócios envolvendo a manipulação de resultados de jogos do futebol brasileiro, ele receberia de R$ 20 a R$ 30 mil por semana e poderia oferecer até R$ 80 mil por semana para o diretor da Comissão Nacional de Arbitragem, Armando Marques.
Araújo diz que não denunciou o caso na época por ter acreditado que ''era um projeto'' e não um esquema articulado por uma quadrilha de jogos.


