Da Redação
Campeão mundial em 1996, o piloto inglês Damon Hill, 38, anunciou ontem sua aposentadoria da F-1 e detonou um processo de ‘‘efeito dominó na categoria. O comunicado emitido na Inglaterra deve deixar aberta uma das vagas mais cobiçadas da F-1. Não na equipe Jordan, para a qual Hill trabalha desde a temporada passada. Mas na Ferrari. O lugar do inglês na Jordan já estaria acertado para o irlandês Eddie Irvine, célebre ‘escudeiro’ de Michael Schumacher no time italiano. Assim, ficaria aberto o emprego de segundo piloto ferrarista. O contrato de Irvine com a Ferrari acaba neste ano e dificilmente será renovado - o piloto expressou seu desejo de transferência, o que irritou a cúpula ferrarista.
As especulações em torno de um nome para a Ferrari já começaram. Entre os mais citados, estão o italiano Jarno Trulli, da Prost; o francês Jean Alesi e o brasileiro Pedro Paulo Diniz, parceiros na Sauber. A aposentadoria de Hill já parecia iminente desde o início do ano. Em seis provas, ele marcou apenas três pontos (foi o quarto em Ímola) e ocupa hoje o nono posto no Mundial - seu companheiro de equipe, Heinz-Harald Frentzen, é o quarto colocado, com 13 pontos. ‘‘Depois de muita reflexão, decidi não continuar mais correndo na F-1’’, diz o inglês, no comunicado.
Para seu atual chefe, o irlandês Eddie Jordan, a decisão ‘‘é típica de um homem bravo e honesto. No ano passado, ele levou nossa equipe ao melhor resultado que já conseguimos em um Mundial’’. Com Hill, a Jordan conseguiu sua primeira - e ainda única - vitória na F-1, no GP da Bélgica de 98. O inglês conseguiu, ainda, 20 dos 34 pontos que colocaram a equipe em quarto lugar no Mundial de Construtores, o melhor desempenho em sua existência.
História - A trajetória de Hill na F-1 é, em vários aspectos, diferente da maioria dos pilotos. Enquanto os competidores geralmente começam cedo, no kart, ele estreou no automobilismo aos 24 anos. Até então, corria de motocicleta.
Correu sem muito destaque na F-Ford, F-3 e F-3000, até estrear na F-1 em 92, aos 32 anos, substituindo Giovanna Amati na Brabham. Com a única credencial de ser filho do bicampeão Graham Hill, um mito do esporte britânico, foi contratado pela Williams em 93. Foi terceiro colocado no Mundial daquele ano e vice-campeão em 94 e 95. Em 96, sagrou-se campeão e, ao fim do ano, anunciou transferência para a fraca Arrows, onde ficou por uma temporada. Até hoje, Hill correu 105 GPs. Venceu 22 e conquistou 20 poles.
Equipes treinam - A exemplo do que aconteceu antes da etapa da Espanha, a F-1 iniciou ontem um ‘‘balão-de-ensaio’’ para o GP da França, próxima prova do campeonato, no dia 27. Treze pilotos de oito equipes estiveram na pista de Magny-Cours, treinando para a prova francesa.
A proximidade com a data da corrida deve fazer com que os resultados dos testes sejam repetidos nos treinos da semana que vem. Efeito semelhante aconteceu antes do GP da Espanha. Uma semana antes daquela prova, a F-1 fez testes livres no circuito de Barcelona. Resultado: o que se viu no fim-de-semana da corrida espanhola foi, em grande parte, igual ao que aconteceu no teste coletivo.
Ontem, o mais rápido foi o piloto escocês David Coulthard, com 1min18s197. Em segundo, ficou o brasileiro Rubens Barrichello, com 1min18s239. Pedro Paulo Diniz foi o nono, e Ricardo Zonta, o 12º. O alemão Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, que se recupera do acidente que sofreu em Montreal, Canadá, não participou do teste, mas foi liberado para a prova.
Bernie Ecclestone, homem forte da F-1, foi operado do coração ontem, em Londres, e passa bem.

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