Daiane volta em busca do sonho olímpico
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
Ana Paula Garrido <br> Agência Estado 
São Paulo - Depois de dois anos sem sentir o friozinho na barriga ao subir no tablado, Daiane dos Santos está pronta para voltar. A convocação para a seleção brasileira ainda depende de uma avaliação da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), prevista para março. Até lá, a gaúcha se prepara com uma intensa rotina diária de treinamentos, seguindo rigorosamente os passos ditados por seu treinador, Raimundo Blanco. Mais uma prova de que paciência ela tem de sobra.
Enquanto cumpria os cinco meses de suspensão por ter sido pega em um exame antidoping (a pena começou a ser cumprida em janeiro de 2010), Daiane poderia ter feito um dos testes de urina exigidos para a liberação. Mas ela não foi informada sobre isso e só terminou de fazê-los em novembro, o que atrasou o seu retorno. ''Perdi o ano todo''.
A temporada longe dos torneios, no entanto, não foi de todo ruim, segundo ela. Serviu, por exemplo, para Daiane se recuperar completamente da cirurgia no joelho direito realizada logo após os Jogos de Pequim, por causa de uma lesão na cartilagem. ''Voltar a treinar sem dor é muito bom. Volto bem fisicamente e mais madura também. Isso ajuda bastante na hora da competição''.
Sob a orientação de Raimundo Blanco, Daiane tem mantido a sua série de antes, sem grandes novidades. A não ser por um detalhe: a ginasta voltou a treinar na trave após seis anos longe do aparelho por causa da falta de equilíbrio no joelho. Será mais uma chance para Daiane ganhar a tão sonhada medalha olímpica no ano que vem. ''O problema é que muita gente quer'', brincou. ''Se não conseguir, é porque não é para ser''.
Dúvidas
Antes de pensar nos Jogos de 2012, a ginasta precisa provar que tem condições de representar novamente o País. Recentemente, a coordenadora da seleção, Georgette Vidor, disse em uma entrevista que duvida que Daiane possa voltar. ''Foi um comentário de quem não me vê competindo desde 2008. É normal. Ela não sabe como estou treinando, se estou fazendo todos os elementos. Ela precisa ver e eu preciso mostrar'', disse Daiane.
Blanco não tem dúvidas sobre o retorno. ''Não há nenhum empecilho. Se estiver bem, sem lesão, não tem como não estar na seleção. Até porque não há várias Daianes no Brasil. Ela ainda faz coisas que ninguém faz''. O segundo passo é conquistar uma das 12 vagas para a Olimpíada, que serão disputadas no Mundial, em outubro, no Japão.
Com medalha ou sem medalha, Daiane já decidiu que a Olimpíada inglesa será seu derradeiro ato como atleta. ''Lá será minha última Olimpíada, com certeza. Eu me formei no ano passado (em Educação Física) e quero casar, ter filhos''.
O esporte brasileiro, no entanto, não ficará completamente órfão de uma das principais ginastas da história do País. Daiane pretende se tornar técnica de categorias de base.
Se a atividade profissional ainda não mudou, uma coisa já foi alterada por Daiane: a música ''Brasileirinho'', que a consagrou nas provas de solo, foi definitivamente aposentada pela gaúcha. Agora ela vai competir ao ritmo de salsa. ''Não escolhi samba porque as pessoas iriam comparar. É preciso mudar um pouco''. Nem mesmo perto de parar Daiane deixa de surpreender. Haja friozinho na barriga.


