São Paulo - Virou rotina. Daiane dos Santos mais uma vez ocupou o primeiro lugar no pódio em um torneio internacional e obteve outro feito inédito para a ginástica brasileira. Com um ouro no solo e uma prata no salto, a atleta gaúcha coroou ontem em Lyon o melhor final de semana de sua carreira e tornou-se a primeira brasileira a conquistar dois pódios em um mesmo torneio da Federação Internacional de Ginástica.
O dia de glória de Daiane começou quando ela, em sua sexta atuação em Copa do Mundo, desencantou no salto. Depois de obter na Alemanha um quinto lugar na etapa de Stuttgart, em dezembro de 2003, e uma quarta colocação em Cottbus, na semana passada, a brasileira sagrou-se vice-campeã do aparelho na França, com nota 9,100.
Apesar de não superar sua nota da fase de classificação, quando foi a quarta ginasta mais bem avaliada no salto, Daiane, com traje vermelho, viu suas rivais pecarem muito na final. Ela efetuou seus dois saltos logo após a passagem da atual campeã do mundo, a uzbeque Oksana Chusovitina, que levou o ouro.
Da surpresa no salto, Daiane, após ter participado da cerimônia de premiação, partiu para os exercícios no solo, no qual até então sustentava uma invencibilidade de quase oito meses e era considerada favorita até pelas rivais. Ela foi a penúltima a entrar no tablado, com a responsabilidade de superar pela quarta vez seguida a romena Catalina Ponor.
Após as derrotas no Mundial e nas etapas da Copa em Stuttgart e Cottbus, a rival de 17 anos revelou ser difícil bater a série de Daiane, que apresenta o duplo twist carpado e o esticado - elementos de alto grau de dificuldade-, mas por pouco não o fez. Com pequenos deslizes nas primeiras execuções da série, Daiane, que era apoiada pelo público, não deixou o tablado com o mesmo semblante da última semana, quando registrou a nota mais alta de sua carreira.
Mas foi o suficiente para festejar sua quinta medalha na Copa e sua quarta vitória seguida no solo, a mais apertada de todas: só 0,025 ponto a separou de Catalina. Agora, o Brasil já soma quatro ouros, duas pratas e um bronze na Copa, torneio criado em 75 pela FIG e que só perde em importância para o Mundial e a Olimpíada.

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