Daiane quer trocar Curitiba por São Paulo
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Glenda Carqueijo<br> Agência Estado 
São Paulo - Daiane dos Santos tem uma lista enorme de resoluções para 2008. E uma de suas metas é tornar-se ''paulistana'' no segundo semestre. A ginasta gaúcha revelou que tem uma proposta, muito bem encaminhada, com o Clube Pinheiros, onde, além de treinar, quer ajudar a equipe. ''Ajudá-los não só como ginasta, mas como técnica ou coordenando e organizando as equipes de ginástica'', explicou. Ela pretende se transferir de Curitiba, onde fica a sede da equipe brasileira permanente, para São Paulo após a Olimpíada de Pequim, que acontece em agosto.
''Entrei em contato com o clube algumas vezes e está quase tudo certo. Vai ser bacana treinar em São Paulo, em um clube forte e de tradição'', contou Daiane, empolgada com o projeto para o futuro. Com o fim do ciclo olímpico, a equipe permanente de ginástica artística será desfeita após a Olimpíada de Pequim e cada atleta terá de voltar para seu clube.
Daiane está sem clube há dois anos - o último foi o Grêmio Náutico União, de Porto Alegre, sua cidade natal. Por isso mesmo, o convite do Pinheiros veio em boa hora para a ginasta de 24 anos, uma das estrelas do esporte brasileiro.
No ano que vem, haverá eleição para presidente da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). Assim, a decisão do local da nova sede ou mesmo se a equipe permanente continuará treinando junta dependerá do dirigente que assumir o cargo - atualmente, quem está no comando da entidade é Vicélia Florenzano.
A oportunidade de defender um clube afasta qualquer possibilidade de Daiane se aposentar após os Jogos de Pequim. ''Na China, será minha última Olimpíada. Londres (em 2012) é muito distante. Não vai dar, já estarei velha, com 29 anos'', brincou a ginasta. ''Mas quero continuar competindo, fazendo treinos mais leves.''
Os planos de Daiane incluem a disputa da Super Final da Copa do Mundo, em dezembro deste ano - a competição é realizada a cada dois anos e ainda não tem local definido. ''Dá para continuar competindo mais alguns anos'', admitiu a ginasta, que já passou por várias intervenções cirúrgicas - operou, por exemplo, os dois joelhos.
A última cirurgia foi em outubro, quando ela foi submetida a uma artroscopia no tornozelo esquerdo. A inflamação no local, que obrigou a realização da operação, acabou impedindo Daiane, favorita ao ouro na prova de solo dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em julho, de competir na decisão. ''Tiveram de raspar o osso do tornozelo e remover sangue acumulado'', lembrou.
Sofrendo com dores no tornozelo durante o Pan, quando foi para o sacrifício e ajudou a seleção brasileira a se classificar para a final por equipes (o Brasil ficou com a prata, atrás dos Estados Unidos), Daiane ainda ajudou as companheiras no Mundial de Stuttgart, em setembro, quando a equipe brasileira garantiu vaga em Pequim. Desde então, ela não competiu mais.
Como operou o tornozelo esquerdo em outubro, Daiane ficou dois meses treinando apenas os membros superiores, sem poder correr nem saltar. Entrou em férias com a equipe no dia 17 de dezembro e voltou a treinar no dia 7 de janeiro.
Na pausa para festa de fim de ano, no entanto, a ginasta não conseguiu ficar parada. ''Fiz caminhada, flexão de braço, para manter a forma'', revelou Daiane. Agora, no retorno aos treinos, as atletas, que estão acostumadas a treinar em dois períodos, estão fazendo apenas treinos leves, de readaptação. ''Estou voltando devagarzinho.''
Chances olimpícas
Até a Olimpíada, em agosto, estão previstas cinco etapas da Copa do Mundo - a primeira será em Doha (Catar), em março. ''Devo competir na etapa de Cottbus (abril)'', admitiu Daiane. Em junho, o Brasil terá um amistoso em Roma, com as equipes da Romênia e Itália. E em julho, no Japão, acontece o treino de adaptação para os Jogos de Pequim.
Daiane, inclusive, está confiante em sua última participação olímpica. ''Eu tenho chance no solo'', avisou a ginasta, que foi campeã mundial da prova em 2003. Ela ainda acredita no pódio para Jade Barbosa no individual geral e na medalha de ouro para Diego Hypólito no solo.
Para a Olimpíada, Daiane reconheceu que pode mudar a música da apresentação no solo - ela vinha sendo embalada por ''Isto aqui, o que é?'', de Ary Barroso. ''Se mudar, vai continuar com um 'sambinha' de fundo. Mas ainda não montamos a série. Só sei que vai ter o tsukahara esticado (pirueta com duplo mortal com as pernas estendidas).''


