Daiane erra e fica fora do pódio
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segunda-feira, 23 de agosto de 2004
Agência Folha 
Atenas - Grande favorita, a gaúcha Daiane dos Santos, 21 anos, não conseguiu subir ao pódio, ontem, nos exercícios de solo nos Jogos Olímpicos de Atenas. Atual campeã mundial no aparelho, a brasileira foi mal em sua apresentação, a primeira da decisão, e, com pelo menos dois erros (chegou a pisar fora do tablado), recebeu nota 9,375 inferior aos 9,637 da eliminatória, em que foi a terceira melhor.
Ao som de ''Brasileirinho'', em uma versão com elementos eletrônicos, a atleta chegou a empolgar o público no Ginásio Olímpico com sua ''sambadinha'' e executou seus dois principais movimentos, o duplo twist carpado, reconhecido pela Federação Internacional como ''Dos Santos'', e o duplo twist estendido (ou esticado).
A nota tirada pela brasileira foi apenas a quinta melhor. A medalha de ouro foi conquistada pela romena Catalina Ponor, com 9,750. Sua compatriota Nicoleta Sofronie ficou com a prata (9,562). Patricia Moreno, da Espanha, levou o bronze (9,487). A chinesa Cheng Fei também ficou à frente gaúcha, com 9,412.
A ginasta já havia inscrito seu nome na história do esporte depois de conquistar a medalha de ouro no Mundial de Anaheim, nos EUA, em 2003. Com o feito inédito, a até então desconhecida atleta colocou definitivamente o Brasil no mapa da ginástica mundial, aproveitando o espaço aberto por Daniele Hypólito, prata no solo no Mundial de Ghent, na Bélgica, em 2001.
Depois disso, Daiane confirmou a boa fase com as medalhas de ouro na Copa do Mundo em Stuttgart-ALE (2003), Cottbus-ALE, Lyon-FRA e Rio (todas em 2004).
Na apresentação de ontem, Daiane não conseguiu quebrar o tabu de 16 anos sem que a campeã mundial do solo vença também o título olímpico do aparelho.
A última a obter tal feito foi a romena Daniela Silivas. Em Seul-1988, ela chegou aos Jogos ostentando o título mundial (dividiu o ouro com a russa Yelena Shushunova) de 1987, em Roterdã (HOL), e não decepcionou. Em Seul, Silivas também foi campeã nas barras assimétricas e na trave.
Nos três Jogos anteriores, a atual campeã também fracassou no objetivo de ganhar o laurel olímpico. Em Barcelona-1992, o ouro ficou com a romena Lavinia Milosovici, enquanto a norte-americana Kim Zmeskal, que foi campeã no Mundial de Paris-1992, não ganhou medalha olímpica.
Nos Jogos seguintes, em Atlanta-1996, a campeã olímpica foi a ucraniana Liliya Podkopayeva, enquanto que a romena Gina Gogean, medalhista de ouro no solo nos Mundiais de Sabae-1995 (Japão) e de San Juan-1996 (Porto Rico), nem figurou no pódio em Atlanta terminou em sétimo.
Em 2000, o aparelho foi vencido pela russa Yelena Zamolodchikova, que tinha ficado fora do pódio no Mundial de Tianjin-1999 (China). O romena Andreea Raducan, que era a atual campeã do planeta, decepcionou nos Jogos e não passou de um sétimo posto na final olímpica.
Antes de Silivas, apenas sua compatriota Ekaterina Szabo, que foi campeã no Mundial-1983 e na Olimpíada-1984, e a soviética Larissa Latynina, que venceu os dois torneios em 1962 e 1964, respectivamente, chegaram aos Jogos ostentando o título mundial e não falharam.


