Daiane cada vez mais longe do Corinthians
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Glenda Carqueijo<br>Agência Estado 
São Paulo - Sem clube há mais de um ano, a ginasta Daiane dos Santos foi sondada para defender o Corinthians, seu time do coração, no final do ano passado. Mas desanimou ao descobrir que o ''time não tem estrutura e um projeto concreto para ginástica''. Ela ainda não conversou com dirigentes do Timão, porque depois da Super Final da Copa do Mundo, em São Paulo, na qual conquistou o bicampeonato no solo, saiu de férias. Quando voltou, o clube estava envolvido com a Copa São Paulo de Juniores. A cinco meses dos Jogos Pan-Americanos, ela diz não ter pressa para escolher um clube, já que esse ano ela considera um dos mais difíceis de sua carreira. Além do Pan, em julho, ela tem o Pré-Olímpico, em setembro, além de etapas da Copa do Mundo.
Agência Estado - Já decidiu se irá para o Corinthians?
Daiane - Não, ainda não. Não conversei com ninguém do clube. Soube que o presidente queria conversar comigo. Mas depois da final da Copa do Mundo, saí de férias e não tive tempo de conversar.
AE - Mas o que achou da proposta?
Daiane - No início, claro que me agradou. Mas eu acho que o clube tem de investir. Não adianta eu dizer que vou para o Corinthians, se o clube não tem um projeto concreto para ginástica. Vou fazer o que ali? Só porque sou corintiana? Levar o nome do clube para as competições? Para isso acontecer, defender o clube, alguma coisa vai ter de ter. Montar uma escolinha, uma equipe de base, incentivar outras crianças na iniciação do esporte...
AE - Tem algum outro empecilho?
Daiane - Sim, imagina um clube que não tem estrutura... E quando eu tiver de competir um Brasileiro, por exemplo. Eu vou treinar onde? Quando eu competia pelo Grêmio Náutico União (seu último clube), eu deixava a concentração da equipe permanente em Curitiba, e ficava uma semana treinando em Porto Alegre, para os campeonatos Estadual e Brasileiro.
AE - Há alguma outra proposta?
Daiane - Tenho, do Minas Tênis Clube. Mas também fica difícil sair de Curitiba e ir treinar e competir lá em Belo Horizonte. O ponto positivo é que o Minas já tem ginástica há muito tempo. Essa é a principal diferença entre os clubes.
AE - Mas tem algum prazo para sua decisão?
Daiane - Na verdade, eu estou bem tranquila com essa coisa de achar um clube. Já estou há mais de um ano sem. Não estou com pressa. As pessoas que estão envolvidas com a ginástica estão mais preocupadas do que eu. Ficam me perguntando toda hora quando vou resolver.
AE - Como está a equipe para os Jogos Pan-Americanos?
Daiane - O clima está bom. As meninas estão bem motivadas este ano - duas meninas subiram para equipe adulta, Jade Barbosa e Thamires Araújo -, tem Jogos Pan-Americanos, Mundial, etapas da Copa do Mundo. São dez meninas disputando seis vagas e vai entrar na equipe quem estiver bem na hora.
AE - E sua expectativa para a competição em casa?
Daiane - Não estou ansiosa ainda, com aquela coisa, 'nossa o Pan'. Talvez seja porque tenho pela frente um ano bem puxado, com muita competição importante. Um ano mais difícil que ano de Olimpíada, porque são competições muito próximas. Acabando o Pan, já tem o Mundial na Alemanha, que definirá vaga para Pequim-2008, em setembro. E, em agosto, faremos um amistoso na Alemanha.
AE - Você esteve em Winnipeg-1999 e Santo Domingo-2003. Qual sua melhor lembrança de Pans?
Daiane - Quando cheguei em Winnipeg tudo para mim era novo, eu só tinha 16 anos. Trouxe três medalhas (prata no salto, bronze no solo e bronze por equipes). A equipe era toda nova. Já em Santo Domingo, a equipe era mesclada e ainda estava meio crua. O Pan foi muito importante porque acabou servindo de preparação para o Mundial de Anaheim. Foi lá que houve o 'boom' da ginástica - fui ouro no solo (inédito para o Brasil) e conseguimos vaga para a Olimpíada de Atenas por equipes.
AE - Quem será a pedra no sapato no Pan?
Daiane - A gente vai brigar direto com os Estados Unidos. O Brasil vai ter uma equipe muito melhor que teve no Pré-Pan. Não dá para dizer se o Brasil vai ganhar o ouro ou os Estados Unidos. Se as americanas não vierem com a equipe titular, a gente sabe que eles têm várias outras ginastas boas. A equipe A é igual à B, que é igual à equipe C. A diferença é pequena entre elas. A gente tem uma equipe menor. Temos dez meninas, as dez melhores do País.
AE - O público brasileiro tem acompanhado mais a ginástica?
Daiane - Certamente. E fico muito feliz por isso. É legal, por exemplo, ver o pessoal do vôlei comprando ingresso para ver a gente. É muito bom saber que as pessoas se interessam, têm curiosidade de saber nome de elemento, código de pontuação, enfim entender um pouco mais do nosso esporte.


