São Paulo - Daiane dos Santos já perdeu a conta de quantos CDs comprou para encontrar a música que irá embalar sua série na prova de solo durante a Olimpíada de Pequim, em agosto. Já ouviu de tudo: MPB, música eletrônica, reggae, axé, enredos de escolas de samba e até funk, como a ''Dança do Créu'', cuja coreografia virou mania entre os jogadores de futebol nas comemorações - esta batida, no entanto, está descartada, para alívio da Confederação Brasileira de Ginástica. O ritmo ela já escolheu. Só falta a música. ''Vai ter samba, mas ainda não encontramos um bom arranjo'', contou a ginasta.
Até mesmo o presidente da Federação Internacional de Ginástica (FIG), Bruno Grandi, pediu a Daiane que continue com o samba. A sugestão foi durante a Super Final da Copa do Mundo de Ginástica, realizada em dezembro de 2006, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. ''Ele disse: 'Daiane, tem de ter música com samba''', revelou a ginasta, que conquistou o mundo com seu gingado brasileiro e as incríveis acrobacias.
Daiane acredita que a escolha do samba é um diferencial em suas apresentações e ajuda a impressionar os juízes. ''Só o Brasil tem samba. Além disso, tem tudo a ver com os negros. É uma questão cultural'', admitiu a atleta. E por que não arriscar com outros ritmos, como a música clássica, muito usada pelas adversárias? ''O ritmo tem de fechar com cada ginasta. Meu biotipo não tem a característica do estilo clássico'', explicou.
As principais adversárias da ginasta brasileira nos Jogos de Pequim, como a chinesa Fei Cheng e a italiana Vanessa Ferrari, já adotaram, segundo Daiane, batidas mais fortes. ''Com o clássico, mesmo, só a Svtelana Khorkina se apresentava'', disse, ao lembrar da ex-ginasta russa, que também foi campeã mundial.
Sugestões de fãs não faltam. Segundo Daiane, a música mais pedida é ''Sorte Grande'', mais conhecida como ''Poeira'', da Ivete Sangalo. ''Mas você já ouviu no karaokê essa música sem a voz da Ivete? Fica horrível!'', afirmou a ginasta.
Há mais de um ano, ela vinha se apresentando ao som de ''Isto aqui, o que é?'', de Ary Barroso. Antes, havia escolhido ''País Tropical'', de Jorge Ben Jor, mas durou pouco. A música de mais sucesso, porém, foi o ''Brasileirinho'', de Waldir Azevedo.
A vontade de mudar de música coincide com o clima de encerramento do seu ciclo olímpico. Será a terceira e última participação de Daiane nos Jogos Olímpicos. ''Desta vez, quero uma música especial, que empolgue, que toque mesmo as pessoas'', admitiu a ginasta. Ela representou o Brasil nas edições de Sydney/2000 (como reserva) e Atenas/2004, quando terminou em quinto lugar no solo.
Depois de Pequim, Daiane continuará competindo. ''Mas não com a mesma intensidade como foi na preparação para a Olimpíada'', garantiu. No segundo semestre, ela deixará Curitiba, onde fica a seleção permanente de ginástica, para morar em São Paulo, onde tem contrato com o Clube Pinheiros.
Antes disso, porém, o próximo desafio de Daiane é a etapa da Copa do Mundo em Cottbus, na Alemanha, entre os dias 11 e 13 de abril. Será a primeira competição dela na temporada. E lá, ainda vai se apresentar com a música de Ary Barroso. Mesmo porque, ainda não encontrou outra.

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