São Paulo - Longas sessões de fisioterapia, quilômetros pedalados em uma bicicleta ergométrica, fonoaudiologia e corrida no parque ou nas ruas perto de casa, em Belo Horizonte. Essa é, nas últimas semanas, a rotina diária do mineiro Cristiano da Matta. Rotina que tira de letra. Tanto esforço não é nada para quem esteve entre a vida e a morte pouco tempo atrás. Há quatro meses, em 3 de agosto, durante testes da Champ Car em Elkhart Lake (EUA), ele atropelou, a 200 km/h, um cervo que cruzava a pista. Jogado para o alto, o animal atingiu o piloto, destruindo o capacete e causando-lhe um coágulo no cérebro. Muita gente acreditou que não sobreviveria. Cristiano sobreviveu e, agora, trabalha duro para poder voltar a correr.
Com o impacto, o piloto ''apagou''. O que se seguiu foram 49 dias hospitalizado, vários deles em coma (induzido) e cirurgias complexas. Uma delas, conta o piloto, foi para recolocar um osso do crânio.
Cristiano perdeu massa encefálica. Era difícil escapar ou, se escapasse, provavelmente ficaria com sequelas, como dificuldade de fala e raciocínio e perda de memória. Nada disso aconteceu. ''Eu só estou com alguma dificuldade com a memória curta (fatos recentes)'', conta.
A recuperação surpreendeu o neurologista Randall Johnson e o médico da Champ Car, Chris Pinderski, que o assistiram no Theda Clark Memorial Hospital, na cidadezinha de Neenah, no Winconsin. ''É um milagre'', considera Johnson. ''Muitos dos que sofrem esse tipo de dano cerebral passam o resto da vida em estado vegetativo.''
Feliz da vida, Cristiano coloca a volta às corridas como um objetivo, não uma obsessão. ''Mas só volto se estiver me sentindo 100%''.

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