Londrina - Foi-se o tempo em que o europeu franzia a testa para os goleiros brasileiros. Hoje em dia, os arqueiros "brazucas" estão roubando a cena nos principais campeonatos do Velho Continente. A Itália é a campeã, com sete goleiros somente na primeira divisão. E um deles é Rubinho. Isso mesmo, o Rubinho do Corinthians, ou o Rubinho irmão do Zé Elias. Aos 26 anos, ele inicia sua terceira temporada no Genoa, desta vez como um dos destaques do time.
Bicampeão Paulista, campeão da Copa do Brasil e do Rio-São Paulo e vice-Brasileiro, todos com o Timão, ele conta como vem alcançando respeito na Itália e revela todo seu amor pelo Corinthians em entrevista exclusiva à FOLHA. Confira:

FOLHA - Qual é a expectativa para a temporada 2008/2009?
Rubinho - O presidente gastou um pouco mais esse ano. Nos reforçamos bem, mas vamos ver no campo. Lá que diz tudo. Na pré-temporada a gente trabalhou muito a parte tática e técnica e não fizemos muitos amistosos. Mas a esperança é de fazer um bom campeonato como no ano passado. Tínhamos acabado de subir da Série B e ficar em 10º foi importante.

Com tantas caras novas, esse começo de campeonato vai ser complicado?
Acho que sim. Tem esse fator do entrosamento. Além disso, temos pela frente seis times grandes nas oito primeiras partidas.

Havia um certo preconceito no exterior com os goleiros brasileiros e, de uns tempos pra cá, isso mudou. Na Itália mesmo são vários. O que aconteceu para a mudança?
Crescemos em técnica e como escola. No começo dos anos 90 começaram a aparecer mais ex-goleiros que viraram treinadores de goleiro. Você olha para um goleiro brasileiro e vê que ele tem uma base, ele tem uma formação muito boa. Outro fator que ajuda aqui na Itália é que o país está com uma dificuldade enorme de formar goleiros.

Só ficou você de brasileiro no Genoa?
É, só eu. Eles mandaram todos embora. Da colônia que a gente tinha ficou só o último moicano, que sou eu.

Isso é ruim para você.
Por mais que tenha companheiros de clube com quem me dou bem, eu não consigo trocar idéia como eu trocava com os brasileiros. A gente sente falta de conversar. Eu estou te dando entrevista e estou com extrema dificuldade de falar, porque me vêm as coisas tudo em italiano.

Até fora de campo deve ser ruim.
Sempre a gente saía pra comer em um restaurante brasileiro. Juntava todas as famílias e de segunda-feira fazíamos um culto, pois éramos todos evangélicos. Falávamos um pouquinho da Bíblia. Criou um clima familiar e agora eu me vejo sozinho aqui. Mas são coisas do futebol.

Como é a vida em Genoa?
Aqui a gente vive praticamente em duas cidades. Nós (ele e a família) moramos em Arenzano, que é uma cidade pequenininha, a 20 quilômetros de Genoa, com quatro mil habitantes. Conheço todo mundo já e é um ambiente muito gostoso. Mas simultaneamente a gente participa muito da vida de Genoa. É uma cidade grande, com mais de 800 mil pessoas e que te oferece alguma coisa a mais. Mas morar na Itália é muito bom, porque temos a cultura italiana no sangue. Aí (no Brasil), de domingo você come uma macarronada.

Você viaja muito pela Itália e pela Europa nas folgas?
A cada brechinha que tenho viajo. Minha esposa e eu gostamos muito. Ela é estilista e tem que aprender culturas novas para depois desenvolver o trabalho. É tudo pertinho e quando dá damos uma escapadinha. Semana passada peguei meu carro e fui até a Áustria ver meu irmão (o volante Zé Elias, ex-Corinthians).

Como é o clima do clássico Genoa x Sampdoria?
Nossa, a maior ansiedade que os torcedores têm no começo da temporada é saber quando que é o derby. É o nosso Corinthians x Palmeiras. Você tem que dar a vida. A cidade fica esperando muito esse momento. No ano passado nós empatamos o primeiro e perdemos o segundo. Foram dez dias que parecia que tinha morrido alguém famoso. No Brasil o cara perdeu o jogo, toma uma cerveja e está tudo certo.
Como é o assédio nas ruas?
O legal aqui é que eles têm um estereótipo de jogador de futebol. É aquele cara que veste roupa de marca, tem um Rolex no pulso, cheio de jóias, tem um carrão, um óculos do último modelo, que não anda pela cidade, enfim, meio fresco. E eu não. Vou pra tudo quanto é lado. O pessoal olha e não acredita, vem perguntar se sou o Rubinho mesmo.

Você pensa em voltar ao Brasil?
Sinceramente não seria uma boa. Teria que recomeçar. Iam me colocar em discussão de novo, ia ter que jogar pra caramba para me reconhecerem como um bom goleiro. Tenho ainda que me estabelecer como um bom goleiro aqui primeiro. Voltar para o Brasil só de férias ou no final da carreira.

Para o Corinthians? Tem esse sonho?
Ah, tenho. No Brasil eu tenho um sobrenome. Sou o Rubinho do Corinthians (risos). Fiquei muito marcado. tanto eu como meu irmão. Ele ainda conseguiu jogar no Santos. Mas eu não sei se conseguiria jogar em outro time. Até pela minha identificação com o Corinthians. Eu falo pra todo mundo sem medo e sem vergonha: sou corintiano mesmo. Vivi dentro do Corinthians minha vida inteira. Lá conheci minha esposa. As melhores pessoas que conheci foram dentro do Corinthians. Lógico que sou profissional e, se um dia tivesse que voltar (ao Brasil), voltaria, mas encerrar a carreira é no Corinthians, até como forma de agradecimento.

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