Curitiba - O ruído dos motores ao fundo durante a tarde, no Autódromo Internacional de Curitiba, em Pinhais, na região metropolitana, deu o tom da conversa. Os pilotos Thiago Marques e Luciano Burti, da Stock Car V8, receberam a equipe da Folha na Marques Motorsports, logo atrás do autódromo, para explicar um pouco mais o que acontece da construção e montagem do carro até a bandeirada.
Em primeiro lugar, a empresa, fundada em 1986 pelo piloto Paulo de Tarso e que foi a segunda casa de seus filhos, Tarso Marques, ex-piloto da Fórmula 1, e Thiago Marques, destaque da atual Stock Car V8. A Marques Motosports desenvolve e constrói carros para a disputa da Renault Clio e Superclio, além dos veículos para Stock Car e também monta os TMC, aqueles carros raros para apresentação que custam em média R$ 400 mil, e as famosas motos Harley Davidson, com valor em torno de R$ 110 mil.
A empresa e fábrica tem toda a estrutura necessária para montar tudo isso: desde oficina para serviços brutos, passando por pintura, almoxarifado e usinagem. A Action Power, equipe de Thiago Marques e Luciano Burti, é a única equipe da Stock Car Brasil a utilizar na Marques Motorsports um dinamômetro de rolo, equipamento para medir a potência de um carro. Os setores são todos divididos de maneira bem distribuída em quatro mil metros de área construída, com 65 funcionários.
Stock Car Depois de uma rápida turnê pelo local, Thiago Marques levou a equipe onde a ''mágica'' acontece antes de cada corrida da Stock Car Brasil: o local da montagem e alinhamento dos veículos. ''O carro chega na 'gaiola' e utilizamos 40% de peças importadas para montar e tudo é montado aqui. Demora mais ou menos um mês e meio para construir cada carro'', explicou o piloto.
O motor é lacrado e não pode ser modificado antes das provas, então o que faz a diferença é a construção de cada veículo. ''Um dos problemas que temos é que há um monopólio de apenas um fornecedor de carroceria e o mal acabamento não está no nível da categoria'', criticou Marques. Os ajustes no chassi e o alinhamento são feitos com uma equipe de engenheiros. ''Temos um engenheiro para cada carro e o organograma de trabalho é igual ao da Fórmula 1'', destacou o piloto.
''O importante é a construção do veículo, que pode decidir dois ou um décimo da corrida, o que é muito atualmente para a Stock Car. O carro bom não é feito na pista e sim construído. O essencial na Stock Car começa pela construção, passa pelo alinhamento e depois vai para a mão-de-obra geral e engenharia. Depois, é claro, vem o piloto'', enumerou Marques. A Action Power já construiu sete carros para a Stock Light e outros sete para a V8.
Falta de autódromos Depois de falar um pouco sobre os veículos, Marques aproveitou para destacar um problema que vem atrapalhando bastante o crescimento da Stock Car no Brasil: a má conservação dos autódromos brasileiros. ''Estamos perdendo autódromos, como Goiânia, Guaporé e Rio de Janeiro. Somos obrigados a repetir as provas em Curitiba e São Paulo. Londrina é um autódromo sob ameaça de a Stock Car não ir mais pra lá. E isso é ruim porque a Stock também movimenta toda a cidade, lota hotéis, mexe com o comércio'', alertou o piloto paranaense.

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