Cury pede prazo para resolver problemas da Federação Paranaense
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domingo, 02 de dezembro de 2007
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quatro meses para ''tomar pé da situação''. Este é o prazo estabelecido por Hélio Cury, novo presidente da Federação Paranaense de Futebol (FPF), que quer utilizar o período para finalizar a auditoria na entidade, que tem dívidas estimadas em R$ 50 milhões. Vice-presidente da entidade nos dois primeiros mandatos de Onaireves Rolim de Moura, Cury passou à oposição em 1991, ao perceber que ''a situação tomava um rumo diferente daquele que tínhamos traçado''.
Conduzido ao cargo por decisão liminar - em atendimento a pedido de impugnação da candidatura de Moura na última eleição da FPF, em 2004, mas que só foi julgado agora - Cury cumpre mandato-tampão até abril de 2008. E destaca o momento caótico da entidade. ''Na verdade encontramos uma situação complicada na federação, com dinheiro no fundo falso do cofre, polícia vindo aqui acompanhada pelo tesoureiro para apreender este dinheiro, mas pelas conversas que temos com os clubes, que têm se sensibilizado, vamos reestabelecer a credibilidade do futebol do Paraná'', explica.
O primeiro passo é realizar sem sobressaltos o próximo Campeonato Paranaense, que começa no dia 9 de janeiro. ''Temos os arbitrais definidos, as vistorias nos estádios já estão encaminhadas, temos os contatos com as televisões para a transmissão e retomamos negociação com a Penalty, que fornece o material esportivo. A comissão de arbitragem comandada pelo Afonso Vitor de Oliveira também permanece. No aspecto funcional, as coisas não se complicam muito. O grande problema é jurídico mesmo, com o bloqueio das contas'', complementa, destacando que qualquer verba recebida pela FPF é imediatamente penhorada para o pagamento de dívidas.
São as pendências judiciais que exigem mais tempo para serem avaliadas, para que se conheça a real condição econômica da FPF. ''Já estamos com um grupo de advogados para fazer a análise de todos os procesos e da situação do Estádio do Pinheirão. Com esse histórico vamos saber a situação em que a federação se encontra. Não é fácil porque muitos documentos foram apreendidos e outros sumiram'', afirma Cury, que assume ser candidato nas próximas eleições. Em meio a tantos problemas, o objetivo inicial é conseguir liberar parte dos recursos da entidade para pagamento de funcionários e manutenção dos serviços administrativos.
Uma das propostas mais polêmicas de Cury é a venda do Pinheirão, atualmente interditado por problemas de segurança. Como o complexo esportivo é o bem de maior valor da FPF, sua penhora sempre é requisitada nos processos judiciais, como garantia para o pagamento de dívidas - em uma das inúmeras ações, o estádio chegou a ser leiloado, mas a venda foi impugnada na justiça. ''Não temos condições de falar isso hoje, porque nem sei quantas penhoras têm em cima, mas minha visão é que federação é para administrar futebol e não estádio. A tendência natural é se desfazer do Pinheirão, mas quem decide isso são os associados da federação, em assembléia'', explica.


