Curitibano supera desafio duplo na África
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quinta-feira, 15 de maio de 2008
Dimas Rodrigues<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Entre um plantão e outro no pronto-socorro, o médico Camilo Benke mal tinha tempo para frequentar a academia ou fazer uma caminhada para cuidar da própria saúde. Essa rotina quase sedentária - do hospital para casa - foi quebrada há menos de três anos. Camilo resolveu fazer uma corridinha perto de casa e ao estilo Forrest Gump - filme premiado com seis Oscar - não parou mais.
Na última semana, o médico voltou da África após ter percorrido 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida, em uma prova de Ironman.
Mesmo após superar uma das mais desgastantes modalidades esportivas, Benke não estava plenamente realizado. Queria ir além. E partiu. Na mesma semana, saiu da África do Sul e na Tanzânia, decidiu subir o monte Kilimajaro - o mais alto da África e um dos maiores do mundo com 5.895 metros. ''Entrei na montanha com desgaste físico, lógico, mas era uma oportunidade única e resolvi fazer a escalada'', comentou o médico-aventureiro.
Normalmente entre um desafio como o Ironman e uma escalada neste nível, é necessário um período de descanso de cinco meses. ''Eu já havia participado de outras provas longas de triatlo, mas nunca subido uma montanha tão alta e a medida que você vai subindo, diminui o oxigênio e o esforço para dar um passo na altitude é enorme, tem que ter um trabalho mental incrível'', contou Camilo.
Na medida que subia - pela rota Machame, o lado mais difícil para escalar o Kilimanjaro -, Benke sentia as dores no corpo e a temperatura diminuir. ''Lá em cima peguei 15 graus negativos'', relembra.
Bem equipado, se manteve aquecido, mas a noite, o silêncio da montanha e a sensação de solidão extrema o abateu. ''Fui com uma equipe de quatro africanos: um cozinheiro, dois carregadres e um guia. Apenas o guia falava inglês. Não ter com quem dividir as experiências, as sensações, é complicado'', confessou.
Quando estava a 4.000 metros de altitude, o médico hesitou. A resistência física estava minada. ''Fiquei muito mal, fraco. Parecia que meu corpo não ia conseguir, mas após uma período maior de sono e a aclimatação maior, consegui prosseguir'', afirmou Benke, que subiu o monte em quatro dias e meio.
Superado o duplo desafio, Camilo planeja novas aventuras. No próximo ano, Camilo pretende disputar uma competição de Ultraman - 10 km de natação, 421 km de ciclismo e 84 km de maratona. Prova que só de imaginar já deixa muita gente cansado.''Eu sempre gostei deste tipo de esporte, pois representa a vida, cheia de dificuldades, de altos e baixos e a gente contudo, deve continuar seguindo para atingir os objetivos'', finalizou.


