Curitibano é homem mais veloz do mundo
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Considerado o homem mais veloz do mundo, o curitibano Luigi Cani esteve em Londrina, no último fim de semana, para ensinar aos saltadores de paraquedas locais sobre o prazer em desafiar os próprios limites. Dono de 79 medalhas, entre elas o de recordista mundial de queda livre, quando atingiu 552 quilômetros por hora utilizando apenas a aerodinâmica do corpo, Cani dedica-se hoje à captura de imagens aéreas para mídias do mundo todo. Vivendo nos Estados Unidos há 11 anos, o paraquedista é economista de profissão e até já trabalhou para uma empresa que terceirizava mão de obra de segurança e limpeza para o governo brasileiro antes de virar lenda no esporte internacional.
''Sempre admirei paraquedismo desde criança e com 25 anos, quando consegui minha independência financeira, dei meu primeiro salto. Foi apaixonante'', conta Cani, que iniciou o trabalho com a mídia enquanto fazia especialização em propaganda numa universidade na Califórnia (EUA).
''Dividia meu tempo entre a faculdade e os saltos e percebi que podia viver disso'', descreve o paraquedista, que passou a captar imagens aéreas e vendê-las à empresas como ferramenta de marketing. ''Materializei minha ideia de romper desafios e ser um atleta que se arrisca e hoje produzo programas de tv, campanhas publicitárias, matérias jornalísticas'', comenta Cani, que já trabalhou para o Discovery Channel, ESPN, Sportv e foi tema de revistas de renome internacional, como a Sports Illustrated.
Personagem de suas próprias produções, Cani admite que a vida de atleta aventureiro não é nada fácil. ''É um ramo inusitado, bem diferente e sempre se corre o risco de não dar certo. Muitas vezes, investe-se tempo e dinheiro em algo que não dá para ser aproveitado.''
Mas a loucura tem seu lado bom e os recordes são prova de que o paranaense está no caminho certo: entre os saltos mais temidos por ele, atingir o topo do Mont Blanc, nos Alpes franceses, lidera a lista. ''Foi o mais estressante e que me deu mais medo. Foram 17 dias até chegar o dia perfeito para o salto, que era difícil de coordenar e executar, mas fomos a única equipe no mundo a realizá-lo'', recorda Cani, que dividiu a aventura com outros três atletas, além da equipe de filmagem.
Já o salto preferido foi de moto, e não de paraquedas, sobre o Grand Canyon, nos Estados Unidos, há dois anos. ''Saltar sobre o Cristo Redentor também foi bem especial'', diz Cani, que atualmente trabalha num projeto em parceria com a Nasa, que pretende romper a barreira do som usando apenas o corpo, em posição de descida. ''Queremos realizar o salto no deserto, região mais quente do Estados Unidos, onde o ar é mais rarefeito, mas é um projeto muito caro e complicado, que não tem prazo para terminar.''
Dono do recorde em voar e pousar com o menor paraquedas do mundo, um exemplar de apenas 37 metros quadrados, Luigi Cani ensina que para atingir grandes objetivos no esporte é preciso levar uma vida saudável e regrada. ''É preciso dedicação até ganhar habilidade. No começo, saltava o dia inteiro'', lembra o paraquedista, que já realizou mais de 10 mil saltos sem nunca ter sofrido um acidente.
Controle do corpo, disciplina e pouco tempo para a vida pessoal também são dicas que se tornaram regras no dia a dia do recordista. ''É uma mistura de sensações, pois tem o sacrifício de ficar longe da família e o sacrifício financeiro, pois você não tem tempo de ganhar dinheiro.''
Hoje, Cani treina pouco e trabalha mais como produtor. Três meses por ano dedica um tempo para dividir suas experiências com outros malucos por paraquedismo como ele em cursos e se diz realizado. ''Sugiro a quem tem vontade de saltar, que experimente, pois é mais tranquilo do que se imagina e a sensação de liberdade é indescritível'', sugere o atleta, para quem o paraquedismo não tem idade. ''Basta ter mais que 18 e menos de 90'', brinca o curitibano, que aos 38 anos continua motivado pelo desafio de quebrar barreiras para redefinir os limites do paraquedismo radical.


