Curitiba - Entrar na água para competir com o campeoníssimo Robert Scheidt era para Bruno Fontes, nascido em Curitiba e radicado em Santa Catarina, um desafio insuperável. Não só para ele. Scheidt, na classe Laser, teve poucos concorrentes à altura.
Oito vezes campeão mundial, detentor de três medalhas olímpicas - duas de ouro e uma de prata -, além de outros 100 títulos no currículo, Scheidt, imbatível, largou a Laser e partiu para novos desafios. Em Pequim, ele competirá na classe Star ao lado do velejador Bruno Prada.
Sem o ídolo e principal concorrente à sua frente, os ventos sopraram mais forte para Bruno Fontes. E as eternas medalhas de prata, começaram a ficar douradas. Nos últimos três anos, Bruno deixou de ser visto simplesmente como uma sombra de Scheidt. Reserva do campeão nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, a nova esperança de medalhas do Brasil na classe Star será titular em Pequim.
''Foram anos de espera para poder chegar lá. Estou ansioso em substituir o Robert Scheidt que é um cara que conquistou nas três chances que teve em Olimpíadas, três medalhas, sendo que duas de ouro e uma de prata. Incrível...'', disse, mostrando sua admiração pelo ex-concorrente que será o porta-bandeira da delegação brasileira na China.
Fontes conquistou a vaga olímpica para o Brasil no Mundial de Portugal, em julho do ano passado. No mês seguinte, ele ficou entre os dez primeiros no Pré-Olímpico de Qingdao, na China. Nesse ano, participou de quatro competições internacionais. A primeira foi na Argentina com o vice-campeonato Sul-Americano, a segunda foi a 11 colocação no Campeonato Mundial realizado na Austrália, além da Semana de Vela da França.
Além disso, foi bicampeão brasileiro em João Pessoa e conquistou a vitória na seletiva brasileira para os Jogos Olímpicos na China, no Rio de Janeiro. ''Não sou fenômeno como ele, mas trabalho e dedicação não me faltam '', afirmou Bruno, 28, que nasceu na capital paranaense e aos dois anos se mudou para Florianópolis.
Desde os oito anos na vela, Bruno entende que vive o melhor momento na carreira. E se antes nas regatas mundo à fora ele era visto como sombra de Scheidt, agora, sem o ícone do esporte como oponente, Bruno espera que em Pequim os ventos e o sol não se escondam mais para ele. ''É difícil, mas o que é meu está guardado e vamos correr por fora para conquistar um bom resultado lá'', finalizou.

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