Kléberson parte da capital em seu Jeep Grand Cherokee com a família, acompanhado pelo staff do Atlético. No PSTC, as atividades são intensas. Funcionários preparam as homenagens, ajudados pelos 120 garotos que treinam no clube, entre eles Fernando, 17 anos incompletos. ''Este joga demais. Será um grande jogador. Em um ano vocês vão ouvir falar muito dele''. No segundo semestre, deve defender o júnior do Atlético, que disponibiliza mensalmente R$ 120 mil ao clube em troca da preferência para levar os futuros craques.
12h15
Depois de uma hora de atraso, o pentacampeão chega à sede do PSTC, na zona leste de Londrina. O local está lotado: além dos jogadores infantis e juvenis, dezenas de repórteres, políticos garotas bonitas afim de algo mais do que um autógrafo, empresários. Espocam os primeiros fogos de artifício do dia. Mal sai do carro, ele recebe o abraço de Aliomar Mansano, o Ticão, olheiro mais famoso de Londrina e que várias vezes se emocionou nas homenagens. A Tropa de Choque da Polícia Militar protege o craque. Lembra o deslocamento de um superstar do rock.
12h45
Cumprindo a primeira obrigação do poeta (''Plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho''), Kléberson acrescenta um arbusto no jardim do PSTC. O clima é de histeria beatle. Canetas caem no chão e as garotas imploram um autógrafo nos mais variados objetos, inclusive nas camisas piratas da seleção. Na sala ao lado, os primeiros acordes de ''Festa'', pop baiano transformado em hino oficioso do penta. O efeito é devastador e a histeria aumenta.
13h15
No salão onde funciona o refeitório, começam as homenagens. Na mesa, a família de Kléberson, sua namorada e Ticão. Serenamente, o craque agradece cada manifestação de carinho. Entre discursos de políticos e empresários, é apresentado dois vídeos produzidos pelos estudantes carentes do Caic da Zona Sul. Paulo, o pai de Kléberson se emociona. Kléberson mantém largo sorriso e brilho nos olhos. Parece extasiado com as imagens dos jogos na Coréia e no Japão, que provavelmente ainda não tinha visto. Depois, agradece em poucas palavras. Na entrevista coletiva, os jornalistas fazem mais tributos do que perguntas. Depois, Kléberson vai para um lugar reservado para autografar, autografar, autografar...
14h00
Kléberson, o staff do Atlético, mais convidados, se deslocam até uma chácara vizinha ao clube, a Recanto do Vale. Antes de forrar o estômago, ele tem outra longa sessão de autógrafos. O cardápio é simples e simpático. Maionese, salada, arroz e churrasco de picanha. O jogador ainda não dá sinais de cansaço, apesar do pós-refeição. Dá mais entrevistas e segue em caravana até o caminhão dos bombeiros que o aguarda. O curioso é que Kléberson sai em uma viatura da Rone. Serginho, goleiro do Londrina que também jogou no PSTC, tira uma casquinha. ''Tá saindo no camburão, né negão!''
15h30
O pentacampeão sobe no caminhão dos bombeiros. Muitos batedores ''limpam'' o percurso. A sirene chama os curiosos que, assustados, demoram a entender que a festa do penta chegou a Londrina. O desfile começa na Estrada do Limoeiro, avança à Avenida Comandante João Ribeiro de Barros e atinge a Santos Dumont. Kléberson ainda parece constrangido por ser o centro das atenções. Em Brasília e no Rio, havia Ronaldo, Rivaldo, Cafu e Felipão como concorrente. Agora, não. A festa é dele.
15h45
Na Rua Pará, as primeiros pontos de concentração. Kléberson se anima. Abre os braços e estica as mãos. A bandeira brasileira sempre à mão. A notícia corre e Kléberson tem que acenar para os moradores de edifícios. Saem nas janelas. O percurso inclui as ruas Mato Grosso, Sergipe, São Paulo, a Alameda Miguel Blasi, a João Cândido e a Benjamim Constant. O trânsito se complica e comerciantes, comerciários e compradores já formam um grupo numeroso e caloroso. Ponto alto é a travessia do Calçadão.
17 horas
Chegada em Ibiporã. Uma multidão espera na entrada da cidade. Banda marcial, um pequeno trio elétrico, ônibus de escolares completam o cenário. Kléberson abraça outros parentes e os amigos mais próximo antes de subir novamente no caminhão do Corpo de Bombeiros. O desfile segue pela Avenida Paraná. Milhares de pessoas se comprimem nas calçadas e invadem a via. O desfile rasga a multidão. Depois que passa, a carreata arrasta muita gente. A maioria, crianças e adolescentes. Chama a atenção o grande número de camisas do Atlético, time praticamente sem torcedores no Norte do Estado, e o colorido verde-amarelo que domina a multidão. Na praça, começa o show com a Banda Champion, que executa de Sandy e Júnior à Zeca Pagodinho.
18h00
Kléberson sobe no palco para o delírio da multidão, estimada em 10 mil pessoas. Recebe uma réplica da Taça Fifa e a levanta. Depois, fala com a voz embargada: ''Gosto demais desta cidade. Se sou quem sou, devo a vocês''. Maria, a mãe, recebe flores do prefeito. O vocalista da banda agradece o fato dela ter dado à luz a um campeão mundial. Os fogos de artifício colorem a noite que Ibiporã jamais vai esquecer.

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