Curitiba - O Brasil ficará sabendo hoje quais serão as 12 cidades que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014. Pouco antes das 15h30, a Fifa divulga a lista definida na reunião do Comitê Executivo da entidade, que está sendo realizada nas Bahamas. Curitiba, como uma das capitais que seguem na disputa para sediar o principal torneio do futebol mundial, vive a expectativa da confirmação. O otimismo marca o discurso das autoridades que se envolveram na organização da candidatura da cidade. Um candidatura que, mesmo com uma série de desencontros, chega ao fim com chances reais de alcançar o objetivo.
A caminhada de Curitiba até o anúncio de hoje não foi dos mais traquilos. Por meio do governo do Estado, o Paraná manifestou interesse em receber uma das sedes antes mesmo da confirmação de que a Copa realmente seria no Brasil. O governo chegou, inclusive, a pré-indicar o estádio do Pinheirão como possível local de jogos na cidade. Na época, a Federação Paranaense de Futebol (FPF), dona da praça esportiva que obviamente precisaria ser reconstruída até 2014, ainda vivia sob o comando do presidente Onaireves Moura, que teria influenciado na decisão.
Mas no dia 31 de maio de 2007, data-limite para que as candidaturas devolvessem à Fifa o chamado caderno de encargos devidamente preenchido, uma comissão criada para elaborar o projeto da cidade indicou a Arena da Baixada, estádio do Atlético. ''A decisão da comissão foi consensual, porque a adequação da Kyocera Arena (nome do estádio na época) é um projeto viável, possível, e que não envolve a necessidade de investimento público'', afirmou na ocasião o vice-governador Orlando Pessuti, que a partir dali assumia a função de coordenar a candidatura paranaense.
Polêmicas
A entrega do caderno de encargos e a definição do estádio, porém, não acalmaram os ânimos dos principais interessados em trazer a Copa para Curitiba. Em dezembro de 2007, o então presidente do Atlético, Mario Celso Petraglia, em entrevista ao site oficial do clube, criticou duramente a falta de uma maior mobilização do poder público em torno da candidatura.
Segundo ele, um exemplo do pouco interesse das autoridades teria sido o fato de nenhum governante paranaense ter viajado a Zurique para acompanhar o anúncio feito pela Fifa em 30 de outubro de 2007 - governadores de outros estados e o presidente Lula foram à Suíça para prestigiar a festa em que o Brasil foi confirmado como organizador da Copa. ''Nosso Estado está acima de São Paulo, Rio, Minas, nossos governantes se sentem mais importantes que o presidente da República e os governadores desses estados?'', questionava Petraglia. ''Como a decisão é política, como o evento é privado, o engajamento e a pressão têm que ser lideradas pelo poder constituído, como tem acontecido em outros estados'', acrescentava.
A partir daí, ganhou força a tese do ex-todo-poderoso atleticano de que a Copa do Mundo seria importante para todo o Paraná. ''É um negócio de milhões de dólares'', dizia o dirigente, de olho nos investidores privados que o clube pode atrair para viabilizar as obras de conclusão da Arena caso Curitiba seja confirmada como uma das sedes. A partir daí, governo do Estado, prefeitura da Capital e a FPF começaram a se mobilizar, criando inclusive o Comitê Executivo para Assuntos da Copa, coordenado por Pessuti e responsável por elaborar o projeto da cidade para atender às exigências da Fifa.
Entre a pressão de Petraglia e a mobilização das autoridades, outras polêmicas balançaram a candidatura. Primeiro foram os boatos de que Curitiba não seria escolhida como uma forma de represália de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, contra o senador paranaense Álvaro Dias. O político se tornou inimigo de Teixeira por ter presidido a chamada CPI do Futebol, que levantou suspeitas sobre a administração do futebol nacional. A hipótese, no entanto, perdeu força após a CBF afirmar que as cidades-sedes seriam definidas pela Fifa, seguindo apenas critérios técnicos.
Na sequência, quem entrou em cena foi o Coritiba. O clube arquirrival do Atlético anunciou que estava encomendando um projeto para a construção de um novo estádio. E não descartava a possibilidade de brigar para que a nova praça fosse a escolhida para receber os jogos da Copa no caso de Curitiba ser confirmada. Mas a ideia não evoluiu, principalmente porque, até hoje, o Coxa ainda nem conseguiu liberação para executar a obra no mesmo local onde fica o estádio Couto Pereira.
Mesmo com todas as polêmicas e desencontros, Curitiba chega ao dia do anúncio oficial da Fifa com grandes esperanças. Otimismo que, nesta tarde, tem tudo para virar realidade. Mas que pode também se transformar em uma enorme decepção.

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