Antônio Lima dos Santos, ou simplesmente Lima, marcou história no Santos. Durante dez anos, de 61 a 71, fez exatas 676 partidas no Peixe, o quarto que mais vestiu a camisa do alvinegro praiano, atrás somente de Pelé, Pepe e Zito. Naquele time de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, que marcou época no futebol mundial, ele tinha papel fundamental. Como se diz na gíria, Lima "carregava o piano" para que os craques pudessem jogar.
Embora tenha iniciado a carreira como lateral-direito, era difícil apontar uma função para Lima. Onde o técnico precisava, lá estava ele. "Eu facilitava muito a vida do Lula (Luis Afonso Perez, técnico daquele esquadrão santista). Só não joguei no gol", brinca o ex-jogador. E era isso mesmo. Um dos momentos mais marcantes de sua carreira foi a vitória por 5 a 2 sobre o Benfica, na final do Mundial de 1962, na qual ele jogou de meia-direita, no lugar de Mengálvio.
Por tudo isso, Lima ganhou o apelido de "Curinga da Vila". O ex-jogador, que também defendeu a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, jogou sua última partida pelo Santos em 1971, mas não era o fim de seu trabalho no clube. Em 2001, ele voltou para assumir o comando do técnico do time infantil do Peixe. Oito anos depois saiu para ser um dos coordenadores das franquias da Escolinha do Santos.
É de Lima a missão de encontrar novos craques como Diego, Robinho, Ganso e Neymar. Ele está em Londrina para uma avaliação aberta do Projeto Nasce um Peixe, realizada no campo da Vila Santa Terezinha, organizada pela franquia londrinense do projeto, a Villa 10.
A história do futebol brasileiro conheceu poucos "jogadores versáteis", como os técnicos atuais gostam de definir. Wilson Mano, do time campeão brasileiro do Corinthians em 90, o tetracampeão Mazinho e o capitão do penta Cafu mereceram a mesma alcunha. Segundo o próprio Lima, não há hoje no Brasil um curinga de verdade. E ele mesmo tem a explicação. "Isso você não aprende. É um dom que já vem contigo".
Ele ressalta, portanto, para os meninos que sonham ser jogador que a versatilidade em campo é um diferencial. "Já fui técnico e sei que eles dão muito valor em jogadores que desempenham mais de uma função, então não tenha dúvida de que é uma vantagem", comenta.
Um dos responsáveis pela formação dos novos talentos do CT Meninos da Vila, em Santos, Lima faz uma propaganda de seu trabalho e garante bons valores para os próximos anos. "Tem uma fornada linda no pré-infantil, muito boa. Podem me cobrar daqui a três, quatro anos", encerra o ídolo santista.

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