Por um encontro semanal com ela, muitos brigam com as namoradas e nem dão bola mais para seus reclamos; outros, casados, já superaram essa fase com a mulher e continuam correndo atrás dela, para deixar claro, atrás de uma bola de futebol, com o mesmo tesão de antigamente, embora, alguns, com a bola já meio murcha para enfrentar uma pelada mais disputada.
Aproveitando o gancho global, seja bola murcha ou bola cheia, nada supera uma pelada, essa instituição nacional que sentou praça em Londrina e é disputada semanalmente em centenas de campos de futebol suíço existentes em chácaras espalhadas pelos quatro campos da cidade, muitas delas compradas em condomínio por um grupo de amigos.
Chácaras como a Jambolão, localizada atrás do Shopping Catuaí, cuja história já registra cerca de 1300 jogos, mais de 2.500 gols, o que demonstra o amor de um grupo de agrônomos pelo futebol e pelos prazeres a ele agregados. Um campeonato de profissionais liberais que existia na época em Londrina motivou a formação do time em agosto de 1981.
''A idéia inicial foi formar um time de agrônomos amigos que jogavam por aí para fundar um grupo de amigos para jogar com constância, fazer do jogo um ponto de encontro para um bate papo, além de ser uma atividade esportiva que todos gostavam'', lembra Francisco Barbosa Lima, atual presidente da chácara Jambolão. Ele conta que já de início o espírito da pelada prevaleceu numa frase que norteou o grupo pioneiro: ''Não interessa se o cara é bom de bola ou não, o que interessa é ele gostar de futebol, ser fominha de bola.''
Hoje, 27 anos depois, muitos deles não só continuam fominhas de bola como jogam ao lado dos filhos que, desde crianças, acompanhavam os pais nas peladas de sábado à tarde, aproveitando cada brecha, cada intervalo para darem os primeiros chutes nesta pelota mágica que enfeitiça e atrai todos que têm contato com ela. Deu no que deu: nove dos filhos estão hoje no time da chácara Jambolão.
A equipe foi formada por 11 jogadores, os chamados sócios/fundadores, número que se mantém até hoje, embora alguns dos pioneiros não estejam mais no grupo pelos mais diferentes motivos. De início, um problema: o único goleiro agrônomo que havia não aparecia pra jogar. Foi preciso abrir uma exceção para alguém de fora da roda. ''Aí efetivamos o Carlindo Bizani que, se não era agrônomo, era técnico agrícola da Acarpa, dava pra perdoar'', brinca Lineu Alberto Domit.
Antes, porém, do grupo se cotizar para comprar a chácara e jogar no próprio campo a partir de fevereiro de 1986 - depois de um ano de lida - a equipe dos agrônomos mandou seus jogos em diversos locais: no campo da Sandoz, que ficava numa chácara próxima à sede campestre do Londrina Esporte Clube; no campo da Ultrafértil, próximo dali, e também no campo do antigo IBC (Instituto Brasileiro do Café).
Jogos que trazem lembranças, algumas marcantes. Eles não esquecem um jogo em Cambé quando, além de tocar umas vacas que pastavam no campo, tiveram de limpar o gramado que estava coalhado de bosta bovina. Pior: minutos depois de dar a saída, as vacas voltaram e o jogo parou para expulsá-las novamente do campo e assim foi até o fim da partida. Vai ver as vacas conheceram algum dos agrônomos que estavam em campo e estavam querendo agradecer ou reclamar de algum insumo mal digerido. Vá saber...
E o episódio das chaves, no campo do Iapar? Foi assim: aproveitando que os pais estavam concentrados no jogo, os filhos, brincando sabe-se lá de quê ou apenas para sacanear, pegaram todas as chaves dos carros - e junto as de casa - que ficavam penduradas nas árvores e enterraram em diversos pontos espalhados pelo Iapar afora. E ficaram bem quietinhos. Naquele dia teve gente que voltou pra casa de carona e sem a chave de casa, não é mesmo, Barbosa? ''Minha mulher tinha me dado um chaveiro de prata de presente de aniversário, tinha meu nome e tudo, não achei nunca mais.''
Mas o que é perder uma chave se muitas outras portas se abriram desde o dia em que os agrônomos Luiz Ganassin, Rafael Figueiredo, Lineu Alberto Domit, Leonil Silva, Dario Antonio Angeli, Francisco Barbosa Lima, entre outros, resolveram convocar seus companheiros de agronomia para formar um time de futebol? A resposta fica para os filhos/atletas Rodrigo, Vinicius, Rafael, Gustavo e Leandro:
''Na verdade, o Jambolão é uma grande família. Nossos pais conseguiram passar pra gente não só o gosto pelo futebol, mas também o espírito de companheirismo, união e amizade; aprendemos a conviver e a respeitar os defeitos uns dos outros. Aprendemos também que não tem choro: sábado é aqui e acabou, pode esquecer namorada e tudo'', dizem os jovens, antes do arremate final e preciso de Rodrigo: ''Se um dia isso aqui acabar, esse é um dia que eu não gostaria de ver.'' (Leia mais sobre o Jambolão na página 2)

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