Denílson era um dos jogadores mais contentes, no fim do treino da seleção, ontem, em Ozoir-la-FerriSre. Ao receber de Zagallo a confirmação da sua escalação no lugar de César Sampaio, que não poderá enfrentar a Noruega, terça-feira, em Marselha, porque está suspenso com dois cartões amarelos, o meia saiu de campo sorridente e feliz, como se tivesse ganho um grande presente.
Apesar de ter entrado no segundo tempo das partidas contra a Escócia e Marrocos, Denílson admite que terça-feira terá sua maior chance na seleção. ‘‘Vou criar um problema para Zagallo’’, afirma o meia, que promete fazer uma ótima atuação contra a Noruega e deixar o treinador com dúvidas para o jogo das oitavas-de-final.
O entusiasmo é tão grande, que ele não se intimida com o porte físico dos zagueiros adversários. ‘‘Quanto maior o marcador, maior o tombo.’’
Zagallo é um dos maiores admiradores do futebol de Denílson. O treinador prevê que o meia poderá terminar a Copa como titular da seleção e ser ainda um dos destaques do Mundial. O técnico chegou a comentar que Denílson poderá ser uma espécie de Garrincha canhoto. Na opinião do treinador, os dribles desconcertantes do meia lembram as façanhas do ex-ponta-direita bicampeão do mundo em 1958 e 62.
O ex-jogador do São Paulo disse ontem que gosta da comparação, mas ressalta que não tem a pretensão de ser um novo Garrincha. Pelos teipes que viu do ponta-direita, considerado um dos fenômenos do futebol mundial, Denílson acha que seu futebol tem uma certa semelhança com a característica que Garrincha possuía. ‘‘Eu também gosto de driblar bastante, passar o pé sobre a bola, balançar o corpo e passar pelo marcador.’’
No início da carreira, Denílson tentou ser uma cópia de Dener, o meia que atuou na Portuguesa e Vasco, falecido há quatro anos num acidente de carro. ‘‘Eu aprendi muito vendo o Dener jogar; para mim ele foi um dos melhores jogadores’’, lembra. ‘‘Se estivesse vivo, ele com certeza estaria conosco na seleção.’’
Quanto ao jogo de terça-feira, Denílson encara com muita responsabilidade. Ele vai compor o meio-de-campo com Dunga, Leonardo e Rivaldo. Sua função será fechar o setor da equipe pelo lado esquerdo. ‘‘Vou voltar e atacar’’, diz. ‘‘Para mim, não será problema, porque estou habituado a jogar desse jeito.’’
Ele enfatizou que poderá formar uma boa ala com Roberto Carlos. Denílson afirmou ainda que o fato de o time ter muitos canhotos não prejudicará o esquema tático da equipe. ‘‘Todos os jogadores do meio-de-campo e ataque têm boa movimentação e habilidade’’, ressalta. ‘‘Acho que a bola vai rolar bem.’’

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