Rio - O técnico Cuca, do Palmeiras, foi punido com dois jogos de suspensão pelo uso de comunicação eletrônica no jogo com o Fluminense, pela terceira rodada do Campeonato Brasileiro. Os auxiliares Cuquinha e Alberto Valentim receberam a mesma punição. A decisão foi da 5.ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que se reuniu no fim da manhã de ontem.
A aplicação da pena começou a valer nesta quinta-feira, de acordo com José Perdiz, presidente da comissão julgadora, que comunicaria oficialmente o Palmeiras da punição. Mesmo assim, os três só passarão a cumprir as penas a partir da próxima rodada, no jogo contra o Flamengo. Assim, a menos que o clube consiga um efeito suspensivo, o trio ficará de fora também do clássico contra o Corinthians.
Nem Cuca, nem os auxiliares, comparecem ao julgamento na quinta-feira em função do jogo do Palmeiras contra o Grêmio. O treinador, porém, gravou um vídeo que foi apresentado no início da sessão. Nele, Cuca admitiu a "tentativa" de usar comunicação eletrônica na partida contra o Fluminense.
"Eu estava (trabalhando) na China, onde era permitido o uso de rádio", comentou inicialmente o técnico. "Eu tentei usar o rádio (no jogo contra o Fluminense) e não funcionou. Não funcionou. Eu tentei antes do jogo ligar o aparelhinho e não funcionou", declarou, para depois afirmar que "isso não vai se repetir de forma alguma".
Advogado do Palmeiras, André Sica pediu absolvição de Cuca ou, no máximo, uma advertência. "No jogo do Fluminense, o Cuca ia tentar, sim, a comunicação. Sem o nosso conhecimento, mas ia sim. O fato é: o ponto não funcionou", defendeu Sica. "Considerando que o Cuca ficou suspenso quando não deveria (o advogado afirmou que a expulsão diante da Ponte foi equivocada), é absolutamente (réu) primário e tem atuação irrepreensível, o caso é de absolvição".
Relator do processo, o auditor Marcio Amaral preferiu concordar com os argumentos da procuradoria. Ele reiterou que Cuca estava suspenso e, mesmo assim, assistiu ao jogo de uma posição privilegiada (camarote) para passar informações. "Essa situação é antiética", afirmou Amaral. "A questão de que não funcionou a comunicação é difícil de comprovar". O relator pediu punição de dois jogos para o técnico e os auxiliares. Os demais auditores concordaram com a aceitação da denúncia, mas houve algumas divergências na dosimetria das punições.
Gerente de marketing do Palmeiras, Eduardo Vicente da Silva também havia sido denunciado, mas o tribunal considerou que o caso "não procedia" e não julgou o funcionário.

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