São Paulo - Cuca desistiu do São Paulo. Ontem à tarde, o técnico paranaense, de 40 anos, entregou o cargo à diretoria, que também não fez esforço para demovê-lo da idéia de sair. ''Se ficasse aqui as coisas permaneceriam do jeito que estão. Não ia mudar nada. Talvez um novo técnico consiga dar novo ânimo ao time', explicou Cuca, com lágrimas no olhos, após a reunião de quase uma hora.
Pouco antes, Cuca havia dito que não pediria demissão. ''Não vou fazer isso de jeito nenhum. Não vou me acovardar'', disse o técnico, que afirmou, depois, ter chegado ao ''limite'' no clube.
Com a saída de Cuca, o nome de Emerson Leão volta a ganhar força no Morumbi. Ele lidera a lista de treinadores para assumir o São Paulo, mas há resistência no clube ao ex-técnico do Santos. Quarta-feira, Leão encerrou negociações para se transferir para o futebol japonês. Outro que tem a simpatia da cúpula são-paulina é Abel Braga, que depois de deixar o Flamengo está desempregado.
Segundo Cuca, a perda da Libertadores foi o divisor de águas e ditou o rumo do departamento de futebol. ''A conquista faria a gente montar um time muito forte para a disputa do Brasileiro e do Mundial Interclubes', explicou.
Como isso não ocorreu, os dirigentes tiraram o pé do acelerador. E negociaram sua principal estrela, Luis Fabiano, com o Porto. A saída do atleta também desagradou ao técnico. ''Acho que houve erro de avaliação no sentido individual para o segundo semestre.''
A separação entre Cuca e São Paulo foi motivada também pelo mau desempenho de alguns atletas, como Vélber, Grafite e Danilo, todos indicados pelo técnico. Mas Cuca estava inquieto com o rendimento dos zagueiros Rodrigo e Fabão, que quase foram para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. Com o fracasso na negociação, a dupla estava deixando a desejar, segundo o próprio treinador.
Ontem, os atletas são-paulinos foram chamados à reunião, que teve ainda participação do vice de futebol, Juvenal Juvêncio, para se despedir do treinador. Depois, voltaram ao treinamento, comandado pelo auxiliar Milton Cruz, mas não quiseram dar entrevistas.
O presidente são-paulino, Marcelo Portugal Gouvêa, afirmou que não demitiria o técnico se ele não tivesse colocado o cargo à disposição. ''Ele achou que por hora era o momento de deixar o clube, mas deixamos as portas abertas para ele voltar ao São Paulo no futuro', afirmou.
''Queria pedir desculpas à torcida do São Paulo por não ter dado um título a ela', declarou Cuca.
Ontem, além de ver a saída de seu treinador, o São Paulo fez a despedida de Luis Fabiano. O jogador, vendido ao Porto por US$ 9,5 milhões, negou que estivesse insatisfeito no clube, como dissera o presidente são-paulino. ''Nunca forcei minha saída. Tanto é que a transferência me pegou de surpresa', disse o atacante, que deve embarcar domingo à noite para Portugal.

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