Cuba quer esquecer vexame do boxe em Pequim
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sábado, 28 de julho de 2012
Amanda Romanelli e Wilson Baldini Jr. <br> Agência Estado 
Londres - Potência histórica do esporte mundial, Cuba não é mais a mesma. As dificuldades impostas pela crise econômica, o embargo imposto pelos EUA e o medo de deserções fragilizou o antes imponente sistema esportivo do país caribenho. Depois de uma campanha ruim nos Jogos de Pequim, há quatro anos, Cuba chegou à Olimpíada de Londres com uma equipe ainda mais enxuta, e sem grandes perspectivas de medalhas.
Pela primeira vez desde os Jogos de Tóquio, em 1964, Cuba não terá nenhuma equipe de esportes coletivos classificada para o torneio. O caso mais grave foi o do vôlei feminino, que se sagrou tricampeão olímpico. A equipe não conseguiu uma vaga para Londres por meio da seletiva caribenha, mas havia se classificado para a repescagem mundial. Só pôde disputar a vaga (que não conseguiu) no Japão por causa de uma ajuda financeira da Federação Internacional - o time chegou a anunciar sua desistência do torneio por falta de recursos financeiros.
Outra ausência sentida em Londres é a da esgrima. A modalidade, que já deu 16 medalhas ao país (cinco ouros), não teve nenhum atleta classificado.
A delegação cubana diminuiu ainda mais em relação a Pequim. Há quatro anos, foram 165 atletas em 16 esportes. Em Londres, estarão 110 competidores, de 14 modalidades. Na China, foram apenas duas medalhas de ouro, com Mijaín Lopez, da luta greco-romana, e com o velocista Dayron Robles, dos 110 metros com barreiras. Para o lutador, repetir o pódio é uma possibilidade. Para o barreirista, conseguir uma medalha seria uma grande superação. Robles enfrentou problemas com lesões, pouco competiu e ainda viu o surgimento de adversários de peso em sua prova, como os americanos Aries Merritt e Jason Richardson.
As lutas devem continuar como um importante celeiro de pódios para Cuba. Na China, além do ouro de Lopez, foram sete pratas e oito bronzes. Mas também houve uma grande decepção: pela primeira vez em 40 anos, os cubanos deixaram a Olimpíada sem nenhuma medalha dourada no boxe.
O resultado foi frustrante na comparação histórica, já que o país havia conquistado cinco ouros em Atenas/2004. ''Nosso propósito é buscar medalhas com todos os pugilistas e alcançar alguns títulos'', afirmou o técnico Rolando Acebal. Campeões mundiais no Azerbaijão, em 2011, Lázaro Alvarez e Julio Cesar de La Cruz são os favoritos para que Cuba consiga minimizar a decepção em seu esporte favorito.
Brasil no ringue
O boxe brasileiro terá um domingo complicado nos Jogos de Londres. Tanto o peso leve (até 60 kg) Robson Conceição quanto o meio-médio (até 69 quilos) Myke Carvalho terão adversários difíceis na primeira rodada de suas categorias.
Robson vai enfrentar o canhoto britânico Josh Taylor, que terá toda a torcida da ExCel Arena. Aos 28 anos, Mike Carvalho disputa a terceira olimpíada. Ele pretende usar sua experiência frente ao norte-americano Errol Spencer, de 22 anos. Spencer, canhoto, tem como ídolo o ex-campeão mundial Pernel Whitaker. É três vezes campeão norte-americano.


