Cruzeiro se arma para manter Dida
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 05 (AE) - A direção do Cruzeiro encaminhou hoje, à CBF, um dossiê com todo o histórico do goleiro Dida no clube, desde sua transferência do Vitória-BA, em 1994. No documento, constam valores de contratos, salários e prêmios recebidos pelo goleiro, os títulos conquistados e todas as convocações para a seleção.
Segundo o assessor do time mineiro, Valdir Barbosa, o material foi solicitado pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira
que quer auxiliar o clube no provável processo que a Fifa deverá abrir para definir a situação do atleta.
No início de fevereiro, Dida, cujo contrato anual com o clube mineiro acabara de expirar, anunciou sua ida para o Milan, da Itália. O problema é que ele não obteve a liberação do Cruzeiro, dono de seu passe, e, até hoje, não houve acordo entre as partes. "Ricardo Teixeira esteve em Belo Horizonte, há alguns dias, e garantiu que irá nos apoiar integralmente nessa questão", afirmou Barbosa. "Ele disse que o que está em jogo não é apenas o direito do Cruzeiro, mas, principalmente, o prestígio do futebol brasileiro", acrescentou o assessor, que redigiu o dossiê.
Um dos empresários que atuou nas negociações entre o goleiro e a equipe européia, Giuseppe Damiani, encontrou-se com a diretoria cruzeirense poucos dias depois do anúncio de Dida. Damiani ofereceu US$ 2 milhões pelo passe do atleta, meio milhão a menos que uma primeira proposta dos italianos, feita ao Cruzeiro no final de 1998. E garantiu que a transferência do jogador era irreversível.
O presidente do clube mineiro, José de Oliveira Costa, o Zezé Perrela, ficou indignado com a forma como o negócio estava sendo conduzido e afirmou que jamais aceitaria uma "imposição do Milan".
Perrela fixou o passe do goleiro em R$ 11,2 milhões na Federação Mineira de Futebol e disse que, se os italianos quisessem ficar com Dida, teriam de pagar, no mínimo, US$ 4,5 milhões. "Como a situação ainda não foi alterada, o caso deve parar mesmo na Fifa, que irá arbitrar o valor do passe", afirmou Valdir Barbosa. A expectativa é de que o litígio entre os clubes seja resolvido em abril, já que em 31 de março perde validade a carta que o Cruzeiro entregou a Damiani, autorizando-o a vender o passe de Dida por US$ 4,5 milhões, dos quais 40% ficariam com o goleiro e o restante, com o Cruzeiro.
TREINOS - Apesar de não ter definido sua situação, e de, oficialmente, ainda ser funcionário do Cruzeiro, Dida está na Europa há cerca de um mês. Segundo amigos, o goleiro, dono de uma luxuosa academia de ginástica em Belo Horizonte, tem treinado normalmente na Itália, embora esteja impedido de atuar pelo clube.
Na semana passada, o Cruzeiro recebeu, por fax, uma consulta da Federação Suíça de Futebol, sobre a possibilidade de liberação do atleta para atuar em um time daquele país. A equipe
informou o Cruzeiro, seria o Logano, à qual o Milan pretendia emprestar o atleta. Perrella elogiou a iniciativa dos suícos, mas negou o pedido. "Enquanto não nos pagarem o que achamos que vale o passe do atleta, não vamos liberá-lo", afirmou o dirigente.


