Cruzeiro garante que não paga multa à Receita
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de fevereiro de 1999
Por Evaldo Magalhães
FOLHA no Google News
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de fevereiro de 1999
Por Evaldo Magalhães
Belo Horizonte, 17 (AE) - A diretoria do Cruzeiro garantiu hoje que o clube não pagará a multa de R$ 16 milhões que lhe foi imposta pela Receita Federal, relativa à sonegação de impostos da casa de bingo Cidade, da capital mineira. O bingo, ao qual o Cruzeiro emprestou a marca, obedecendo aos critérios estabelecidos pela Lei Zico, de 1995, era administrado pela empresa HMR Administração e Lazer. Na primeira semana de fevereiro, os dez proprietários da empresa foram presos por policiais federais, acusados de sonegação fiscal, formação de quadrilha e até de utilização de cartelas frias nos sorteios.
Segundo o superintendente da PF em Minas, Agílio Monteiro, a HMR, que também administrava o bingo Eldorado, em Contagem (MG) - associado à Liga Esportiva do munícipio -, vinha sendo investigada desde o início de 1998. O trabalho foi feito em parceria entre a PF, o Ministério Público e a Receita Federal. "Constatamos em todo este tempo uma série de irregularidades que culminaram com o pedido de prisão dos donos", disse o policial.
A ordem para a detenção dos empresários - quatro localizados em Belo Horizonte e seis, em São Paulo - foi requerida pela Procuradoria da República e dada pelo juiz-substituto da 4ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, André Prado de Vasconcelos. No processo sobre as duas casas de Bingo, o Cruzeiro e a Liga Esportiva ficaram isentos de responsabilidade criminal. Mas a Receita Federal estabeleceu uma multa de R$ 37 milhões para os envolvidos, referente à sonegação de impostos, e incluiu as duas entidades na punição. O Cruzeiro estaria devendo R$ 16 milhões e a Liga, R$ 6 milhões, conforme os cálculos da Receita, enquanto à HMR foram atribuídos R$ 15 milhões.
O presidente do Cruzeiro e deputado federal Zezé Perrella informou, hoje, que não está sequer preocupado com a multa, já que "o Cruzeiro não tem nenhuma responsabilidade administrativa ou fiscal sobre o bingo Cidade, como está na claro no contrato firmado entre as partes". "A única coisa que fizemos foi ceder a nossa marca para os empresários que administrariam o bingo, obedecendo à Lei Zico", disse o dirigente, lembrando que o clube recebia R$ 20 mil mensais pelo licenciamento. "Pareciam pessoas idôneas, mas parece que nos enganamos." "Nosso departamento jurídico vai provar que não temos nada a ver com essas irregularidades que estão sendo apontadas", acrescentou.
Perrella citou o caso do São Paulo, que viveu a mesma situação
recentemente, em relação ao bingo Pamplona. "O clube entrou na Justiça e teve ganho de causa, em primeira instância", ressaltou. Perrela, que promete empenhar-se, em seu primeiro mandato na Câmara Federal, para reabrir a CPI dos bingos - além de pedir reformulações nas Leis Zico e Pelé, entre outros projetos - não soube informar se o Cruzeiro já foi notificado oficialmente pela Receita.