Com um elenco formado por jogadores experientes - quatro têm mais de 30 anos de idade - o Cruzeiro busca fôlego para completar, até o fim do ano, uma verdadeira maratona de jogos. Só na atual temporada, a equipe comandada pelo técnico paranaense Levir Culpi participou de 76 partidas, entre os Campeonatos Mineiro e Brasileiro, a Copa do Brasil, a Taça Libertadores, a Copa Mercosul e amistosos.
Nos próximos 16 dias, os cruzeirenses vão entrar, pelo menos, mais quatro vezes em campo. Caso a decisão da Copa Mercosul, contra o Palmeiras, seja disputada em três confrontos, serão cinco jogos nesse período.
‘‘Hoje, o que mais importa para um atleta é estar bem fisicamente’’, destacou o meia Valdo, de 34 anos. ‘‘Antigamente, a técnica era mais valorizada.’’ Apesar de ter boa movimentação em campo, Valdo reconhece a força dos mais jovens. ‘‘Eu corro muito ainda, mas ninguém sabe o esforço que eu faço para acompanhar os meninos’’, explicou. O meia, que atuou dez anos fora do Brasil antes de voltar ao Cruzeiro, pretende encerrar a carreira até o fim do próximo ano.
Para o volante Djair, o principal adversário da equipe mineira é o cansaço mental. ‘‘Estamos disputando duas decisões em campeonatos diferentes e as cobranças são muito grandes’’, afirmou o jogador, satisfeito com o seu desempenho físico. ‘‘Se o atleta não estiver bem psicologicamente, não suporta a pressão.’’
Na primeira partida contra o Corinthians pela final do Campeonato Brasileiro, domingo, no Mineirão, além da falta de controle emocional, os jogadores do Cruzeiro tiveram dificuldades para correr no gramado molhado. ‘‘O time estava lento’’, apontou o zagueiro Gottardo.
O jogo serviu para aumentar ainda mais o desgaste da equipe na temporada. Depois de abrir vantagem de 2 a 0 no início do segundo tempo, o time mineiro acabou cedendo terreno para a reação corintiana. O empate em dois gols deixou a equipe em alerta para o perigo da de ter de encarar a decisão de dois títulos no final da temporada.
Preocupado com os seus atletas, o técnico Levir Culpi deverá poupar alguns titulares amanhã à noite, no Mineirão, contra o Palmeiras, pela Mercosul. ‘‘Eles (jogadores) estão no limite de suas forças’’, comentou o treinador. ‘‘Esse desgaste desestabiliza o grupo e os jogadores começam a errar passes.’’ Levir ainda não decidiu quem poderá ficar na reserva. Após uma avaliação médica com cada jogador e um pouco de conversa, haverá uma definição, provavelmente quarta, momentos antes da partida.
O atacante Alex Alves, que está fora do próximo jogo do Brasileiro por estar suspenso, deverá ter mais uma chance na equipe, deixando Muller no banco. Outra mudança seria a entrada dos reservas Caio e Ricardinho, para fortalecer o meio-de-campo, setor que não agradou ao treinador contra o Corinthians.
Na defesa, o lateral-esquerdo Gilberto poderá ser a novidade. Nenhum atleta, porém, admite sair do time. ‘‘Ninguém quer ficar fora de uma decisão’’, contou o atacante Fábio Júnior, que não teve um bom rendimento na partida de domingo.
O Cruzeiro luta em duas frentes distintas. Caso seja campeão brasileiro, terá uma vaga na Libertadores da América em 99. Se vencer a Mercosul, embolsará um prêmio de US$ 3 milhões. Mesmo se perder para o Palmeiras, o time mineiro terá uma premiação de US$ 1 milhão.

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