Crônica
Paulo Briguet
E o torcedor Zeca disse para o torcedor Chico, no final de Brasil 2 x 0 Equador:
Ah, mas que joguinho mais ou menos.
O torcedor Chico comentou com o pipoqueiro:
Mais pra menos que pra mais. O pior é que eu perdi feio no Bar do seu Joaquim. Arrisquei 5 a 0 no bolão.
O pipoqueiro confidenciou ao policial:
Pra mim, foi show de horror.
O policial argumentou com o segurança:
Ainda bem que me mandaram ficar de costas pro campo.
O segurança sentenciou ao retirar a jovem que tentava entrar sem crachá na tribuna de honra:
Olha, moça, não me leve a mal, só estou cumprindo ordens. Você veja o meu caso: o Galvão Bueno não disse que a gente iria ver o jogo em todas as suas emoções? Eu só tive duas.
A moça perguntou ao repórter de TV quando a torcida do Londrina Esporte Clube fez coro nas arquibancadas:
Por que eles ficam gritando Tubarão, Tubarão?
O repórter da TV esclareceu ao colega:
É um costume local. Equador é mole pra quem ganha da Portuguesinha.
O jornalista dirigiu-se então ao general Luxa:
Mas porque tirar o Mozart se hoje ele vinha bem?
O general Luxa bateu no ombro do Alex e esclareceu:
O time pode mudar. Ou não.
Alex acrescentou apenas, olhando para o técnico:
O professor falou, tá falado.
Luxa retomou a palavra, percebendo a aproximação do prefeito Antonio Belinati, e desapertou o nó da gravata:
Farei as mudanças que julgar necessárias no decorrer da competição. Ou não. Agora, que faz um calor do inferno nessa terra, faz.
O prefeito Belinati telefonou para Jaime Lerner:
Governador, pode vir para o próximo jogo. Da próxima vez, a gente não anuncia a sua chegada pelos altos-falantes. Dá certo, sabe? Além disso, o pessoal anda mais ocupado em vaiar o Brasil.
Lerner ligou para Brasília e queixou-se a Fernando Henrique:
Pô, presidente. O astral anda baixo no Paraná: caí nas pesquisas, meus secretários brigam, aqueles pés-vermelhos me vaiam, a Seleção não emplaca... e o sr. não quer liberar os royalties!
Fernando Henrique, em seu descanso dominical, pediu um cafezinho e ponderou:
Calma, Jaime. Eu tenho um estilo e o Luxa tem outro, entende? Posso dar os royalties. Ou não.
Juca, o funcionário que serviu o cafezinho a FHC, resolveu ligar para o primo Zeca em Londrina, lá no bar do seu Joaquim:
Ô, Zeca. Cadê a Seleção? Você não disse que ela tava em Londrina?
O torcedor Zeca que tomava umas cervejinhas depois do jogo consolou-se:
Calma, primo. O Alex e o Ronaldinho ainda existem.
Chico, ao lado de Zeca, levantou o copo com a dificuldade de Mancini ao levantar a bola na área. E cantarolou junto com os frequentadores do boteco:
Ô Xeleção, cadê voxê? Eu vim aqui zó pra te ver!





