CRM absolve médicos da seleção por unanimidade
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 02 (AE) - Os médicos Lídio Toledo e Joaquim da Matta - que participaram da equipe da seleção brasileira durante a Copa do Mundo da França, em 1998 - foram absolvidos pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj) da acusação de conduta irregular na decisão do campeonato, quando permitiram que o atacante Ronaldo, depois de passar mal e ser atendido em uma clínica de Paris, disputasse a partida final contra a França. A decisão foi tomada por unanimidade pelos 32 conselheiros do Cremerj que julgaram o processo - no total, são 42, mas dez não puderam comparecer à sessão, que durou 5h30 e terminou às 2h da madrugada desta quinta-feira. Os conselheiros chegaram à conclusão de que o jogador sofreu
antes da partida, um "mal-estar súbito" sem causa identificada, e não uma convulsão, como foi divulgado à época do incidente. Segundo o presidente da entidade, Mauro Brandão, de acordo com os exames feitos por Ronaldo em Paris, não havia problema clínico que o impossibilitasse de jogar. "Já estava absolutamente tranquilo antes de sair o resultado", disse Toledo. O clínico Joaquim da Matta reiterou que os dois seguiram a ética médica, "com base científica", preservando a saúde do jogador. "Ele foi examinado por três especialistas franceses antes de ser liberado para a partida", declarou.
A decisão dos médicos de considerar o jogador apto para disputar a final foi considerada correta pelos conselheiros - inicialmente, a conduta da equipe médica da seleção foi a de cancelar sua escalação, mas, momentos antes do jogo, Ronaldo foi confirmado no time titular. "A conduta dos médicos que o assistiram foi absolutamente correta, e a escalação, do ponto de vista médico, não teve problema", afirmou Brandão. "Ele (Ronaldo) teve um mal súbito passageiro, que não foi forte o suficiente para impedir sua participação, e os exames, apesar de não apontarem as causas, afastam qualquer possibilidade de risco iminente à saúde ou à vida."
O presidente do Cremerj ressaltou que disputar a partida foi uma decisão do próprio jogador, que não poderia ser contrariada pelos médicos, caso os exames apontassem para a inexistência de fatores que o impedissem de jogar, como ocorreu. "A ausência de risco faz prevalecer a vontade do paciente", disse. "Se, mesmo com o risco afastado, os médicos insistissem em manter o veto, poderiam estar respondendo por ter impedido o jogador de exercer seu direito."
Razões emocionais - De acordo com Brandão, não existe prova de que Ronaldo tenha sofrido uma convulsão. Quanto às possíveis causas do mal- estar, ele levantou a hipótese de o problema ter ocorrido em consequência de "razões emocionais". "São possibilidades que poderiam ser investigadas, mas isso é uma questão pessoal, diz respeito a ele e aos médicos que o acompanham."
O presidente da entidade destacou, ainda, que, segundo os exames realizados em Paris - anexados ao processo -, Ronaldo não tomou nenhum tipo de medicamento antes da partida contra a França. Durante o processo, foram ouvidos, além dos dois médicos
jogadores e parte da comissão técnica da seleção brasileira, entre eles o técnico Zagallo. Ronaldo enviou uma carta ao Cremerj, na qual defendia a posição de Lídio e Joaquim.


