Rio, 24 (AE) - O espanhol Alex Crivillé, da equipe Repsol Honda, conquistou o Mundial de Motovelocidade da categoria 500 cilindradas, ao chegar em sexto lugar no GP Rio, hoje, no Autódromo Nelson Piquet, em Jacarepaguá, zona oeste. É a primeira vez que um piloto espanhol ganha o campeonato da categoria mais importante do motociclismo. "A Espanha é um país muito tradicional nas corridas de motos e faltava um título nas 500 cc", declarou Crivillé. "Enfim, é um sonho que se realiza." Com uma atuação arrojada, o piloto japonês Norick Abe venceu a corrida em 45m24s308. O brasileiro Alexandre Barros ficou em quarto, conquistando a sua melhor colocação no GP Rio.
A sexta colocação rendeu 10 pontos a Crivillé, que soma 256 em toda a temporada. Ele não pode mais ser alcançado pelo vice-líder do campeonato, o japonês Tadayuki Okada, com 211 pontos. Isso porque o vencedor de cada corrida ganha 25 pontos e o GP Argentina, que ocorre no domingo, é o último da temporada.
Sobre a prova de ontem, Crivillé disse que estava muito tenso e, por isso, considerou a corrida difícil. "Quando faltavam dez voltas, só conseguia pensar no título que iria conquistar", observou. O espanhol disse que ficou preocupado com alguns pilotos que estavam realizando manobras arriscadas. "Havia alguns loucos derrapando ao meu lado e fiquei preocupado", disse ele, fazendo referência ao australiano Gary MacCoy, que quase provocou um acidente ao tentar ultrapassá-lo.
Crivillé agradeceu a torcida brasileira, que aplaudiu quando ele cruzou a linha de chegada e garantiu o campeonato. Emocionado, ele disse que parecia estar disputando uma corrida na Espanha, diante de seus compatriotas. "Isso não acontece em muitos países", completou. A único ponto negativo da corrida para o espanhol foi a dor no pulso esquerdo, ainda inchado por causa de uma contusão.
Além de conseguir um título inédito para a Espanha, Crivillé acabou com a supremacia do australiano Micheal Doohan, que ganhou os últimos cinco campeonatos. O australiano acidentou-se no GP da Espanha, em maio, e não pôde disputar o resto da temporada. "Gostaria que ele tivesse corrido para vencê-lo na pista", afirmou o espanhol.
"Finalmente, a minha moto será a N.º 1 no próximo ano e não a de Doohan." O campeão fez questão de desabafar, pois, segundo ele, algumas pessoas não acreditavam na sua capacidade. "Quem não confiava em mim, terá de se calar", garantiu. Crivillé explicou que fez muitos sacrifícios para chegar ao título. "Acreditei sempre, mesmo nos momentos mais difíceis." Até hoje
o único título conquistado pelo espanhol tinha sido o campeonato de 125 cc, em 1989.
Depois de tanto esforço para vencer o campeonato, o piloto demonstrou estar aliviado de atingir o seu objetivo. "Parecia que eu não ia ganhar nunca", comentou. Ele contou que, após o GP Argentina, voltará a Espanha, onde está sendo preparada uma festa para recebe-lo. Uma corrida-exibição com a presença do campeão também está prevista. Após a comemoração, Crivillé pretende descansar com sua família.
Ele garantiu que não está preocupado com a pressão que deve sofrer por ser o novo campeão da 500 cc. "Estou acostumado com a atenção da mídia, só não podem atrapalhar quando eu estiver trabalhando", explicou. O espanhol informou que, no início do próximo ano, começará a preparação de sua moto para a temporada do ano 2000.

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