Curitiba - A perda do Campeonato Paranaense, a eliminação na Copa do Brasil e o início preocupante no Brasileirão (uma derrota e um empate) provocaram uma verdadeira turbulência nos bastidores do Atlético. As críticas à atual administração, que vinham desde a fraca campanha no Nacional do ano passado, se intensificaram nos últimos meses e ganharam novos capítulos neste início de semana, com um ultimato de uma torcida organizada do clube e um movimento para destituir a diretoria do Furacão.
Ontem, o diretor geral da torcida Ultras, Gabriel Barbosa, afirmou, em texto publicado no site da organizada, que o treinador Leandro Niehues, os jogadores e o diretor de futebol Ocimar Bolicenho terão a ''última chance'' de ''mostrar que realmente são capazes de algo mais'' no próximo domingo, em jogo contra o Atlético Mineiro, em Belo Horizonte, pela terceira rodada do Brasileiro. Em caso de nova derrota, a organizada defende que ''uma revolução será a solução''.
Na segunda-feira, o Esquadrão da Torcida Atleticana (ETA), movimento que se apresenta como uma confraria de torcedores do Atlético e não uma organizada, havia divulgado um ''manifesto'' pedindo a renúncia do presidente Marcos Malucelli. O grupo está coletando assinaturas para requisitar a saída da atual diretoria.
A assessoria de comunicação do Atlético informou ontem que Marcos Malucelli e os demais membros da administração não vão se pronunciar sobre as críticas por enquanto. Apesar do silêncio, é notório que a atual diretoria do Atlético considera que boa parte das críticas tem motivação política.
O técnico Leandro Niehues deixou isso claro em entrevista após o empate em 2 a 2 com o Guarani, na Arena da Baixada, no último domingo. ''Eu sou parceiro dessa diretoria. A gente sabe que nos bastidores existe uma briga muito ferrenha. E talvez eles (da oposição) não queiram nem atingir o Leandro, mas estou sendo usado'', disse o treinador, ao ser questionado sobre as vaias que recebeu na Arena.
No caso, a oposição é do grupo liderado pelo ex-presidente atleticano Mário Celso Petraglia. Malucelli fez parte da última diretoria comandada por Petraglia e foi eleito presidente, no final de 2008, com apoio do então manda-chuva do Furacão. Entretanto, no ano passado, os dois dirigentes romperam. Surgiram acusações de irregularidades dos dois lados e, no Twitter, no site Cap4Ever e em entrevistas, Petraglia tem aumentado o tom das críticas.
Além da administração do futebol, um ponto de polêmica tem sido a conclusão da Arena da Baixada para a Copa de 2014. Petraglia considera que a direção do Atlético não tem se esforçado para encontrar meios para bancar a obra e disse numa entrevista que a opção do clube em descartar financiamento do BNDES era ''coisa de inexperiente''. Malucelli tem reiterado que não vai assumir dívidas ''impagáveis'' para concluir o estádio.
O ETA, que propôs o abaixo-assinado, é presidido por Doático Santos, presidente do PMDB de Curitiba e entusiasta do grupo de Petraglia. Resta saber como os próximos resultados em campo vão influenciar os rumos dessa polêmica.

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