Critério de rebaixamento é desafio à matemática
São Paulo, 25 (AE) - Não bastasse a pendência jurídica dos pontos do jogo entre São Paulo e Botafogo-RJ, a luta das equipes ameaçadas pelo rebaixamento entra num terreno, para muitos, obscuro: a matemática. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estabeleceu no regulamento do Campeonato Brasileiro, um critério em relação ao rebaixamento que é um verdadeiro desafio para os especialistas em equações complicadas. A única certeza é que somente na última rodada será possível determinar quais as quatro equipes que vão cair para a Série B.
O regulamento diz que o critério para definir os rebaixados é a soma da média de pontos que a equipe obteve no ano passado com a deste ano, dividindo-se o resultado por dois. Esse é só o início do problema.
O Brasileiro de 1998 teve 24 times. O atual conta com 22 equipes. Dessa forma, a média do ano passado é obtida pela divisão dos pontos que o time conseguiu por 23 jogos. A de 1999 será conhecida com o número de pontos ganhos dividido por 21 partidas. Gama e Botafogo-SP, que subiram da Série B, só participaram da A este ano; portanto, para a dupla, vale apenas a média alcançada no atual campeonato.
O problema maior é que fica complicado comparar a média obtida sobre 23 jogos com a média de 21 partidas. Afinal, são denominadores diferentes que, para serem colocados lado a lado, precisariam de um novo índice, um denominador comum.
Alguns matemáticos apaixonados refutam o critério adotado pela CBF. O matemático Tristão Garcia, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, dá um exemplo teórico. Uma equipe A que ganhou todas as partidas de um ano tem média de 3 pontos. A equipe B, que empatou todas, tem média de um. Na primeira rodada do campeonato do outro ano, B derrota A, fica com média 3 e a outra, com zero. Pelas contas da CBF, na soma das médias dos dois campeonatos, o time B teria o índice de dois pontos (1 + 3 dividido por 2) e o A teria 1,5 (3 + 0 dividido por 2). O time que passou um ano todo só empatando sairia, dessa forma, em vantagem.
"Estas interpretações dos matemáticos podem ser mais justas e bonitas, mas o importante é o que está no regulamento, que foi decidido ano passado, em uma reunião do Conselho Técnico", desconversa José Dias, assessor do Departamento Técnico da CBF.
Pelo critério da entidade, se o campeonato acabasse hoje
os rebaixados seriam Gama, Paraná, Juventude e Botafogo-SP. Curiosidade: Gama e Internacional têm o mesmo número de jogos: 18. Se perderem todas as partidas que restam, o Gama terá média de 1,04 e o Inter, de 1,07. Nesse caso, cairia o Gama. Se as duas equipes somarem dois pontos nos três jogos que faltam, a média do Gama subiria para 1,14 e superaria a do Inter, que seria de 1,12. Então, poderá cair o Inter.
A CBF promete para o ano que vem um novo desafio para os apaixonados pela matemática: o critério para definir o rebaixamento do Brasileiro de 2000 será a soma das médias dos três últimos anos dividida por três. A calculadora vai virar instrumento obrigatório para o torcedor.





