Crise volta a rondar Vila Capanema
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quarta-feira, 25 de maio de 2011
Fábio Galão <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Paz é um sentimento difícil de chegar à Vila Capanema. E, quando chega, fica pouco tempo. A tranquilidade havia se instalado no Paraná em razão da chegada de novos jogadores e da vitória fora de casa na estreia na Série B do Campeonato Brasileiro, contra o Ituiutaba. Mas bastou um empate em 1 a 1 com a Portuguesa, na noite de terça-feira, primeiro jogo do time na Vila Capanema nesta Segundona, para um início de crise estourar no Tricolor.
O técnico Ricardo Pinto se irritou com os torcedores que o vaiaram durante e após a partida. ''Tem um problema sério no Paraná. O torcedor vai ao campo, paga ingresso, e tem todo o direito de criticar, xingar. Mas não sei qual é a graça de ficar atrás do banco de reservas xingando o técnico por 90 minutos. Eu não sei o que isso acrescenta ao Paraná'', desabafou o treinador.
Ele citou que o Tricolor vive uma ''situação negativa'' pelo rebaixamento no último Campeonato Paranaense e pelas dificuldades financeiras, mas justificou que o time atual está jogando junto há apenas duas partidas. Além disso, o treinador apontou que o Paraná enfrentou na terça-feira um adversário ''com folha salarial altíssima'' e que seria ''um concorrente direto por uma vaga entre os quatro'' times que vão subir para a elite do Brasileirão.
''Estou aqui sem receber o meu salário, sem assinar contrato, mas estou aqui porque eu amo esse clube. Aprendi a amar esse clube nesses três meses, por todas as dificuldades que nós passamos. Você cria um amor de trabalho, de dedicação, entrega, superação'', afirmou Ricardo Pinto.
''Não sou perfeito, vou errar muito ainda. Mas tenho força de vontade de trabalhar e mais uma vez contei com um grupo maravilhoso, dedicado, honesto, de homens. E a gente vai ter condições, sim, de galgar uma classificação (para a Série A) porque o campeonato é muito igual'', continuou o treinador.
Ele agora terá mais de uma semana para preparar o time para o próximo compromisso na Segundona, já que o Paraná só volta a campo no sábado da semana que vem, contra o Americana, no interior de São Paulo. Até lá, segundo Ricardo Pinto, outros seis ou sete reforços deverão estar regularizados.
Ontem, o Paraná informou que o treinador é funcionário registrado do clube. Mas o Tricolor admitiu que realmente Ricardo Pinto não vem recebendo salários porque os pagamentos seriam feitos por um patrocinador do clube, que não estaria liberando o dinheiro em razão de problemas burocráticos. Um site de Curitiba divulgou ontem que funcionários do Paraná teriam feito uma paralisação por salários atrasados, mas o clube negou a informação.


